Bairros

Símbolos reforçam a magia natalina

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Faltam apenas quatro dias para o Natal e a ajuda do calendário já pode ser dispensada até pelos mais ansiosos, que contam os dias para comemorar a data. O inexplicável espírito natalino, que timidamente começava a invadir as ruas no início de dezembro, agora está espalhado por todos os cantos e alterou o cotidiano dos bairros de um jeito todo especial.

Árvores de Natal, enfeites coloridos, igrejas repletas de gente e, como não poderia deixar de ser, a visita do Bom Velhinho marcam presença e anunciam a aproximação da data mais esperada do ano. Os bons sentimentos também não ficam de fora. Valores como o respeito, o amor ao próximo e a união invadem o coração das pessoas, de forma que até mesmo o trânsito, que fica caótico neste período, parece não incomodar.

Mas porque o Natal cria sensações ímpares, a ponto de modificar o comportamento das pessoas e que ganham destaque se comparadas com as existentes em outras comemorações realizadas ao longo do ano? A explicação está na existência de uma grande quantidade de símbolos relacionados à data.

“O símbolo é um representante, um porta-voz, de algo vivificado pelos humanos durante toda sua evolução e sobrevivência. Eles são carregados de emoções, que remetem a acontecimentos passados. O Natal é a época mais rica em símbolos e, com a mobilização de todos eles, é possível tornar vivos os ideais do renascimento e, involuntariamente, lembrar ao mundo a importância da Criança Divina ter vindo ao mundo”, explica a psicóloga Regina Paganini Furigo, coordenadora da curso de psicologia da Universidade do Sagrado Coração (USC).

Para Furigo, a importância dos símbolos se torna ainda mais acentuada nos dias atuais, tempo em que o culto ao ego e o individualismo são privilegiados. Ela ressalta que a presença de símbolos como o Papai Noel, a árvore de Natal, o presépio, a ceia, entre outros, permite vivências muito antigas, que foram experimentadas por todos os povos.

“Elas são patrimônios psíquicos de toda a humanidade e fortificam o sentimento de que todo o universo é uma grande aldeia. Quando fazemos rituais e mobilizamos símbolos universais, somos seres mais coletivos. Criamos a sensação de estarmos juntos e termos alguém do nosso lado”, completa Furigo, que é doutora em psicologia clínica institucional pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCamp).

Real sentido

Mas a importância dos símbolos como fatores determinantes para o surgimento do famoso espírito natalino não é unanimidade. Para o Gilson Souto Maior Junior, teólogo e pastor da Igreja Batista do Estoril, os símbolos se tornam elementos vazios quando não estão associados ao nascimento de Jesus Cristo, apontado por ele como sendo o real sentido de comemoração na data.

“As pessoas devem se lembrar que Natal significa o nascimento Daquele que veio para libertar o mundo dos pecados. A data existe para lembrar a misericórdia de Deus para com toda a humanidade. Toda simbologia que não parte do nascimento de Cristo deve ser descartada”, afirma.

Para ele, muitos símbolos, como a árvore de Natal e o Papai Noel, perdem o sentido quando são analisados mais criticamente. “São símbolos nórdicos ou europeus, que nada têm a ver com o contexto do Brasil. A mesma coisa não acontece com o presépio, que representa o nascimento de Cristo. Já a tradicional troca de presentes pode ter sido fruto da atitude dos reis magos, que ofereceram ouro, incenso e mirra ao Menino Jesus. Ainda assim, a troca de presentes não deve ser salientada como elemento principal”, ressalta.

Preocupado em destacar a real importância da data, Souto Maior Junior alerta ainda para os falsos sentimentos, frutos da aproximação do Natal. “É preciso cuidado para que o Natal não se torne uma farsa, uma época de frases sem efeito. É comum escutarmos a máxima de que o Natal é tempo de paz, de solidariedade. Aí eu me pergunto: e o resto do ano, é tempo de quê? De guerra? É comum o bom clima predominar agora, quando as pessoas escondem suas misérias e agonias, mas isso não é o certo. Deus está presente em todas as épocas do ano, e devemos lembrar disso”, frisa.

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