Economia & Negócios

Álcool sobe e vantagem sobre gasolina diminui

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

O motorista bauruense tomou um susto ontem ao abastecer seu carro. O preço do litro do álcool chegou a R$ 1,69 em alguns postos de combustíveis. Com o aumento, a vantagem sobre a gasolina diminuiu e os proprietários de veículos flex já fazem as contas para decidir qual combustível irão utilizar. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) explica que a alta é em razão do início da entressafra da cana-de-açúcar, matéria-prima do álcool, e ressalta que o preço pode subir ainda mais. A gasolina também deverá aumentar.

A conta é simples. Divida o preço cobrado pelo litro do álcool pelo preço da gasolina. Se a conta foi maior que 70, o dono de carro flex deve optar pelo primeiro combustível. Se o resultado for inferior, é melhor ficar com a gasolina. Em Bauru, com a alta do preço do litro do álcool, a conta está ficando cada vez mais apertada.

De acordo com José Antônio Reghine, presidente do Sincopetro, o aumento não é exclusividade de Bauru. “Em algumas cidades, o litro é mais caro ainda. Em Piraju, por exemplo, chegou a R$ 1,75. O reflexo do aumento é em todo o Estado”, diz. Ele explica que o fim da safra da cana é o principal motivo. “As usinas pararam de moer e o custo do álcool aumentou. Esse preço é apenas uma amostra do que vai acontecer durante toda a entressafra, que vai até abril”, observa.

O empresário explica que no início da semana, as distribuidoras repassaram o aumento que tiveram aos comerciantes, que não tiveram mais como segurar. “Um posto bandeira branca, por exemplo, paga atualmente R$ 1,42 pelo litro. Até ontem (anteontem) o preço vendido na bomba era de R$ 1,49”, explica.

Reghine informa que a tendência de aumento começou há 15 dias. “E não temos informação sobre onde esse preço vai chegar. É uma situação muito preocupante. A entressafra mal começou e o preço já está nesse patamar”, diz. “A gente segura, mas o custo de um posto de combustíveis é muito elevado. De uma hora para a outra, todas as distribuidoras repassaram o aumento e não tivemos mais como conter”, diz.

Ele também não está feliz com o preço cobrado. “Ninguém ganha com uma alta no preço do álcool. Nós, os comerciantes, temos um aumento no custo de capital de giro. Se não repassarmos, temos que arcar com os impostos, custos de emprego”, observa.

Muitas vezes, quando há um aumento expressivo no preço do litro do álcool, alguns postos de combustíveis passam a oferecer um valor muito abaixo do cobrado em outros estabelecimentos. Não é raro observar em Bauru postos com filas de carros aguardando o abastecimento. Porém, Reghine alerta os consumidores a se precaver antes de encher o tanque.

“O motorista tem ferramentas para se proteger. Basta consultar a ANP (Agência Nacional de Petróleo) e verificar o preço médio oferecido na cidade. Se o valor oferecido for R$ 0,20 a menos do que é praticado na maioria dos postos da cidade, é melhor ficar com o pé atrás”, orienta. A ANP realiza levantamento semanal em diversos estabelecimentos da cidade. O resultado pode ser conferido no endereço eletrônico da agência, www.anp.gov.br.

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Gasolina deve subir

Com o aumento do litro do álcool, o preço cobrado pela gasolina também deve subir. A avaliação é de José Antônio Reghine, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro). “Os postos estão sentindo esse aumento desde junho. De lá para cá, o total foi de R$ 0,12 a mais”, calcula. Ele explica que a composição da gasolina leva 25% de álcool. “Então, se o álcool subiu R$ 0,20, a gasolina deverá ter um aumento de R$ 0,05 no litro”, calcula. “Para nós, comerciantes, isso significa um aumento de 30%”, observa.

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