Os micro e pequenos empresários do Estado estão otimistas e prevendo um 2010 de expansão. Esse é um dos indicadores verificados pela pesquisa de conjuntura realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) com empresários de todas as regiões de São Paulo. Para Milton Aparecido Debiase, diretor da regional Bauru, a tendência da cidade é acompanhar o desempenho estadual.
Ele explica que a sondagem é feita periodicamente para detectar o nível de atividade das micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas. O resultado divulgado reflete os dados apurados em setembro e outubro. Na ocasião, além de verificar o andamento dos empreendimentos, o Sebrae também questionou as expectativas para 2010.
Segundo a pesquisa, para 72% dos proprietários de MPEs, o faturamento da sua empresa irá aumentar no próximo ano. Já para 24% deles, o faturamento irá manter o mesmo nível de 2009. “É um dado otimista, que vem apontar que o nível de atividade empresarial tem tendência de crescimento. Um aumento impulsionado não somente por oferta de créditos e financiamentos, mas pelo aumento da renda da população”, observa o diretor.
Ele também observa que os empresários estão percebendo que a inflação e as taxas de juros sob controle oferecem um ambiente estável para o investimento, já que 71% dos empresários ouvidos informaram que pretendem comprar equipamentos, realizar reformas e concluir expansões em 2010. “É um ambiente propício para fazer planos e, inclusive, projetar um ganho maior. Com esse ambiente estável e o nível de atividade interna subindo, entendem que vão faturar mais”, observa.
Debiase destaca que 55% das MPEs estão no comércio, se não for considerado o meio do agronegócio. E se o setor de serviços for incluído, esse percentual passa para 85%. “A maior parte das pessoas vende internamente, então elas entendem que esse crescimento da renda vai continuar”, avalia.
Ele ressalta que Bauru, por ser um pólo regional, chega a atrair até 45% dos consumidores das cidades da região. “Isso sem falar na procura por serviços, que é alavancado pela educação, saúde e transporte em Bauru. Fora a área de informática”, pondera.
Assim, Debiase avalia que a cidade compensa um Produto Interno Bruto (PIB) menor que alguns municípios - reportagem publicada na semana passada pelo Jornal da Cidade mostrou que o PIB de Bauru é de R$ 5,3 bilhões, ocupando a 76.ª colocação no País e a 25.ª no Estado - com uma atração maior de consumidores de outras localidades.
Atenção
Apesar do otimismo dos empresários, Debiase alerta que mesmo em um ambiente estável, é preciso estar atento. “Vivemos num mundo muito competitivo e se os empresários não tomarem cuidado, mesmo num momento de otimismo, uma empresa pode fechar”, diz.
Por isso, o Sebrae aconselha os empreendedores a sempre manter atualizada a análise mercadológica. “É preciso permanecer atento e focado no mercado, no seu setor de atuação. Os empresários devem ficar atualizados com as tendências de mercado, perfil dos clientes e desempenho dos concorrentes”, observa.
Para isso, a entidade mantém cursos de treinamento e especializações para “abrir a mente” dos empresários. Outro conselho é manter a saúde financeira da MPE em ordem. “É necessário fazer análise de resultados constantemente, equilibrar as finanças”, pondera.
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Avaliação de 2009
Pelos dados da pesquisa do Sebrae, os empresários estão divididos em sua avaliação quanto ao ano de 2009: segundo 43% dos proprietários de Micro e Pequenas Empresas (MPEs), o ano foi parecido com 2008. Já para 35% o ano de 2009 foi pior que 2008 e para 22% foi melhor.
A avaliação da indústria foi mais pessimista em relação aos demais setores da economia: 48% declararam que 2009 foi um ano pior que 2008. Já os setores do comércio (48%) e serviços (40%) avaliam o ano de 2009 como semelhante a 2008. Em 2009, a principal dificuldade enfrentada pelas MPEs foi a queda no consumo, citada por 66% das MPEs, seguida do peso de impostos (59%) e do aumento de custos com matérias-primas, tarifas públicas e aluguéis (57%).
As principais estratégias adotadas pelas micro e pequenas empresas em 2009 foram aperfeiçoamento de produtos e serviços (de acordo com 72% das MPEs); oferta de novos produtos e serviços (61%) e substituição de fornecedores por outros (51%).