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Autônomos exercitam controle da renda

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A semana passada foi a última, por lei, para que todos os trabalhadores recebessem a segunda parcela do 13.º salário. Embora o pagamento da gratificação esteja injetando milhões de reais na economia, há quem sobreviva às despesas de final e começo do ano sem ter como recorrer a esta ‘ajudinha’ para salvar o orçamento.

São profissionais autônomos como a esteticista Cinthia Baptista de Paula e a advogada Patrícia Juliana de Oliveira, que precisaram descobrir, cada uma a seu modo, como dar conta de tantos gastos com presentes, festas, viagens e, após o Réveillon, compromissos com Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).

De acordo com o economista Wagner Ismanhoto, o segredo para estes trabalhadores conseguirem viver sem sobressaltos, principalmente nesta época, em que há despesas adicionais, está no planejamento. “Essas pessoas já sabem de antemão que as contas são maiores e que não terão uma renda extra. Então, elas tem que se programar ao longo do ano e fazer uma reserva”, comenta.

Como o 13º corresponde a um doze avos do salário para cada mês trabalhado, a orientação é que os trabalhadores autônomos poupem 8% da remuneração obtida em cada mês. Embora possa parecer uma tarefa difícil para quem não possui disciplina, o economista aponta que reduzir gastos é algo possível e saudável para a gestão do orçamento doméstico.

“É preciso colocar na ponta do lápis o quanto se ganha e o quanto se gasta. A partir daí, caso o dinheiro não esteja sobrando para fazer esta economia, é preciso reavaliar o estilo de vida e algumas práticas do dia-a-dia”, frisa.

“É claro que cada um cria seus próprios artifícios para sobreviver a esta época. Mas, na possibilidade de fazer esse investimento, mesmo que seja com um pouco de sacrifício, esses profissionais conseguirão ter um salário a mais no final e começo do ano”, recomenda.

Instabilidade

Uma das principais desvantagens de assumir uma vida profissional autônoma é a instabilidade e as incertezas inerentes a esse tipo de serviço, já que não existem garantias de que sempre haverá trabalho a ser feito, nem de quanto o trabalhador receberá no final de cada mês. A advogada Patrícia, 30 anos, por exemplo, obtém remunerações bastante distintas, de acordo com a época do ano, e desenvolveu estratégias para manter o padrão de consumo em dezembro e janeiro.

Como, a partir de novembro, o número de clientes habitualmente diminui, ela conta que começa a comprar os presentes de Natal um pouco antes desse período, para não se sobrecarregar com dívidas no último mês no ano. “Também tenho um cofrinho onde guardo moedas de R$ 1,00 durante todo o ano. Em dezembro, retiro para ir ao salão de beleza, para comprar uma roupa, ou para ajudar no pagamento de alguma viagem”, revela.

Após a virada do ano, quando chegam os compromissos financeiros com IPTU e IPVA, ela apela para o corte de gastos com supérfluos. “Tenho que fazer concessões, deixar de fazer algum curso, ou comprar alguma coisa de menor necessidade. Mesmo assim, muitas vezes, acabo estourando o cheque especial, não tem jeito”, comenta ela, destacando que não consegue poupar parte dos rendimentos desde o início do ano.

Já para a esteticista Cinthia, 27 anos, o ‘aperto’ é um pouco menor. Por trabalhar em uma área que lida com beleza e estética, a demanda por atendimento aumenta consideravelmente em razão dos preparativos com festas e viagens. “O salão fica lotado. A procura por limpeza de pele, por exemplo, se torna muito grande. E quanto mais eu trabalho, mais eu ganho”, conta.

Com o rendimento extra que começa a receber a partir de novembro, ela consegue poupar o suficiente para quitar as despesas com as festas natalinas e contas de início de ano. “Não consigo guardar um pouco (de dinheiro) a cada mês. E como o número de clientes aumenta nesse período, prefiro poupar nos últimos dois meses do ano”, frisa.

A reserva, segundo Cinthia, também supre a diminuição da renda em janeiro, quando habitualmente a clientela mingua. “E como os gastos fixos de início de ano são altos, controlo esse dinheiro até fevereiro, quando a situação volta a se normalizar”, revela.

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