Perdoar e esquecer são palavras distintas não somente na semântica como também na prática. Para o pastor Samuel Biassi do Nascimento, da Primeira Igreja Batista de Bauru, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Quem perdoa não precisa, necessariamente, esquecer o mal que lhe foi causado.
Nesse caso, o sentido de esquecer é não ter mais mágoa, raiva ou ressentimento pelo que aconteceu. Se isso ocorrer, o perdão foi de mentirinha.
“A gente nunca esquece”, afirma o pastor. “Mas uma coisa é lembrar e a outra é reagir à luz da lembrança”, observa Samuel. “Mesmo lembrando, a pessoa tem de reagir como se aquilo não contasse mais no relacionamento com a outra pessoa. Tem de ser como se o fato não tivesse ocorrido. Mas esquecer é difícil”, frisa.
Na opinião do pastor, enquanto não se desfizer o mito de que perdoar é esquecer, as pessoas ficarão reféns de suas lembranças e culpas. No entanto, quando entenderem que uma coisa não leva a outra o perdão poderá ser dado e compreendido com mais naturalidade. “As pessoas têm de lidar com as lembranças de forma madura”, recomenda. “A lembrança vai sempre existir. A partir do momento que as pessoas entenderem isso saberão administrar melhor o pensamento, as reações e as emoções”, afirma.
Ao contrário do senso comum, o ato de perdoar, segundo Samuel, não é sinal de fraqueza de quem o pratica. Ao contrário, quem perdoa se fortalece porque estará em paz consigo próprio e com seus semelhantes. Além disso, o perdão é agregador. “A pessoa que não perdoa corre o risco de ficar sozinha”, avisa o pastor.
Para a psicóloga Fernanda Augustini Pezzato, se determinada pessoa nos fez muito mal, trouxe muito sofrimento, é compreensível que não consigamos perdoar.
De acordo com ela, dependendo do caso, é até recomendável manter distância. “Conviver com alguém que nos agride, por exemplo, pode ser psicologicamente e fisicamente muito ruim. Por isso, perdoar pode ser muito difícil para algumas pessoas. Depende muito da situação que provocou a mágoa e da história de vida de cada um”, pondera.