Um dos ensinamentos do falecido papa João Paulo II que ganhou grande projeção na mídia e entre os fiéis católicos é que “não há paz sem justiça e nem justiça sem perdão”. O padre Luiz Antônio Lopes Ricci, da Paróquia de São Cristóvão, diz que essa é uma frase que deve estar sempre na mente das pessoas.
Segundo ele, o ato de perdoar, além de agradar a Deus, faz muito bem para o ser humano. “O perdão tem uma dimensão espiritual, terapêutica e pedagógica”, afirma Ricci. É espiritual porque faz parte dos ensinamentos de Jesus a prática do perdão.
No Evangelho de Mateus, capítulo 6, versículos 14 e 15, ele fala que se perdoarmos aos homens as suas ofensas, também o Pai celestial nos perdoará.
Mas se, porém, não perdoarmos aos homens, tampouco o Pai perdoará nossas ofensas. Na Bíblia existem muitas outras passagens que chamam a atenção do cristão para a importância do perdão.
Ricci fala da dimensão terapêutica do perdão porque, segundo ele, faz as pessoas se sentirem melhor. “Tem muitos que sofrem porque carregam dentro de si feridas abertas”, aponta o padre.
A partir do momento que as pessoas passam a resolver essas pendências perdoando ou pedindo perdão, as feridas começam a se fechar e cicatrizam.
Por fim, a dimensão pedagógica do perdão, segundo Ricci, tem a ver com a justiça, com o fato de mostrar que houve um erro e que ele não deverá ser repetido.
“Temos de ter a consciência de que somos humanos e podemos errar. Mas temos também de estar dispostos a reparar esse erro”, observa.
A psicóloga Fernanda Augustini Pezzato chama a atenção também para outro fator. De acordo com ela, muitas pessoas culpam o próximo por suas frustrações, sofrimentos ou problemas nas relações interpessoais.
Muitas vezes, não avaliam o quanto são responsáveis por buscar suas satisfações e o quanto seus comportamentos constituem 50% do relacionamento e interferem no comportamento do outro.
“Por isso, é importante tentar identificar nosso papel no problema gerado, tentar nos colocar no lugar do outro (ser empático) e buscar formas alternativas de nos comportar para promover melhoras na relação, para que consigamos obter aquilo que desejamos”, recomenda o padre Luiz Antônio Ricci neste dia de Natal.