São Paulo - Com a Mogi-Bertioga interditada durante o feriado prolongado de Natal, a opção mais barata e mais curta para o paulistano e os turistas do Interior chegarem ao litoral norte pode ser também a mais perigosa. A rodovia dos Tamoios, com 83 quilômetros de extensão, tem trechos com sinalização apagada, asfalto esburacado, placas cobertas por mato e percursos sem acostamento nem iluminação.
Os 121 mil veículos previstos para descer a serra, entre anteontem e ontem, pela Mogi são distribuídos para a Tamoios e para o Sistema Anchieta-Imigrantes. No ano passado, as duas rodovias que levam à Baixada Santista, chegaram a registrar 40 quilômetros de lentidão, com todas as estradas estaduais em operação. Antes de saber da interdição, a Polícia Rodoviária Estadual estimou que 91 mil veículos passariam pela Tamoios entre anteontem e ontem. Esse número agora é uma incógnita. “Não estávamos contando com isso”, disse o tenente Alexandre Sant’Ana.
As rotas alternativas para chegar aos litorais norte e sul também deixarão a viagem mais cara. Para chegar em Bertioga, por exemplo, saindo do centro de São Paulo e acessando a Via Anchieta - percurso mais rápido entre as opções Imigrantes e Tamoios -, o motorista desembolsará na ida R$ 17,80 com pedágio. Isso sem contar o combustível que ele gastará. Se o veículo for 1.0 movido a gasolina, o custo para percorrer a distância de 107 quilômetros que separa a Capital do município é de R$ 18,00, o que dá um gasto total estimado em R$ 35,80.
Se o turista pudesse fazer a mesma viagem pela rodovia Mogi-Bertioga, que está interditada por conta do deslizamento de pedras provocados pela chuva, o custo total da ida ficaria em torno de R$ 23,60. Os gastos seriam com pedágio, sendo um único no valor de R$ 4,60 cobrado pelo motorista que utiliza a Rodovia Ayrton Senna para acessar a estrada interditada, e com gasolina, que gira em torno de R$ 19,00. Para o litoral norte, a viagem ficará R$ 3,00 mais cara.
Os operários responsáveis por cobrir os buracos e podar o matagal que cresce ao longo da rodovia tentavam correr. Eles tinham de preparar a pista para o tráfego incomum esperado na Tamoios nos próximos dias. Só anteontem foram nove toneladas de asfalto para cobrir 400 buracos de todos os tamanhos. “Mas a gente não vence, o certo seria recapear tudo de novo”, disse Roberto Firmino, funcionário de uma empresa contratada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) para a manutenção da rodovia. Na descida, o pior trecho de asfalto vai até o km 40.
A casa do borracheiro Antônio Artur da Silva, 49 anos, fica providencialmente no meio do caminho. Na temporada, ele faz em média 12 atendimentos por dia. Fora desse período, cai para sete. “Assim que é bom”, deixou escapar. “Se ficar um tapete a gente perde freguês.” Pela estrada não há crateras, mas a qualidade da pavimentação é nitidamente pior se comparada às rodovias anteriores, Carvalho Pinto e Ayrton Senna, ambas concedidas à administração privada.
No trecho de serra, que é o mais perigoso, com curvas sinuosas, o problema não é tanto o asfalto mas a sinalização. Os olhos de gato estão escondidos pelo mato e as faixas amarelas que separam os dois sentidos da pista estão apagadas em alguns pontos. Sem referência, carros e caminhões facilmente invadem a pista contrária. “A gente vai seguindo o fluxo. O pior é à noite, quando a estrada vira um breu”, disse o funcionário público Fernando Tadeu Gonçalves, 31 anos, que depois de uma semana com a família no litoral preferiu voltar para São Paulo, anteontem, no contrafluxo.
Limite de velocidade
A Polícia Rodoviária Estadual alerta os motoristas para respeitarem o limite de velocidade e ficarem atentos ao trajeto para não serem surpreendidos pela falta de sinalização. Em grande parte da Tamoios, a velocidade máxima é de 80 km/h na pista principal e de 60 km/h, na auxiliar. Mas poucos seguem as placas. Embora em toda a extensão haja avisos de fiscalização eletrônica, a Polícia Rodoviária conta com apenas dois radares móveis.