Teerã - O líder reformista e ex-porta-voz do governo Abdullah Ramezanzadeh, detido após a polêmica eleição iraniana de junho passado, foi sentenciado a seis anos de prisão, informou ontem a agência de notícias Fars.
Segundo a Fars, Ramezanzadeh, que apoiou o líder opositor Mir Hossein Mousavi nas eleições presidenciais, foi condenado pela corte revolucionária por acusações que incluem ações contra a segurança nacional e propaganda contra o sistema islâmico.
O juiz Abulghasem Salavati condenou Ramezanzadeh também por posse de documentos classificados e estabeleceu uma multa equivalente a 500 mil euros. Ele tem quatro dias para pagar a quantia e pode recorrer à apelação.
Ramezanzadeh foi governador da Província iraniana de Curdistão durante o primeiro mandato do presidente Mohammad (1997-2001), que o nomeou porta-voz do governo durante seu segundo mandato (2001-2005). Ele é um dos vários líderes reformistas e ativistas detidos após as eleições por acusações de fomentar protestos.
Geralmente, cortes revolucionárias tratam de casos de segurança. No mês passado, a imprensa iraniana disse que o reformista e ex-vice-presidente Mohammad Ali Abtahi também foi sentenciado a seis anos de prisão. Após pagamento de fiança de US$ 700 mil, ele foi liberado.
Ahmadinejad foi reeleito em 12 de junho com cerca de 63% dos votos contra 34% do principal candidato da oposição, Mousavi. A votação foi seguida por semanas de fortes protestos da oposição por fraude. Os protestos, enfrentados com violência pela polícia e a milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária, deixaram ao menos 20 mortos, dezenas de feridos e cerca de 2.000 presos.
A maioria deles já foram libertados, mas mais de 80 foram condenados a até 15 anos de prisão por participação nos protestos e na violência após o pleito, segundo o Judiciário. Cinco pessoas foram condenadas à morte. A oposição chegou a denunciar abusos nos presídios contra os opositores, mas a acusação foi rejeitada por Teerã.
O Conselho dos Guardiães do Irã, órgão responsável por ratificar o resultado do pleito, aceitou fazer uma recontagem parcial dos votos para acalmar a oposição, mas confirmou a reeleição de Ahmadinejad depois de afirmar que a fraude em cerca de 3 milhões de votos não era suficiente para mudar o resultado das urnas. Khamenei endossou a vitória de Ahmadinejad.