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Nunca exija mais do que uma pessoa pode dar

Amanda P. Dippólito
| Tempo de leitura: 2 min

Há de se esperar que a literatura infantil seja destinada apenas para crianças; se engana quem pensa assim. Por esta razão as crianças são menos complicadas, as verdadeiras lições e valores estão nos bons livros infantis. Os adultos são como são porque se esquecem de enxergar como as crianças, e acabam nunca mais lendo pérolas de sua infância. Triste é pensar que muitas crianças não têm acesso a grandes obras como O Pequeno Príncipe, escrita por Antonie de Saint- Exupéry. O leitor se depara naquele pequeno livro com a grande questão: se deixamos ou não o adulto insistente que existe em nós dominar. Uma das atitudes adultas mais significantes relatadas no livro foi o que deu título a este artigo. Imagine quantas frustrações poderiam ser evitadas em nossa vida se apenas deixássemos de exigir das pessoas mais do que elas nos podem dar... E não adianta dizer que isso não faz parte da sua vida, seja você quem for, e também não diga que exigem demais de você, porém, você não exige nada de ninguém porque isso é realmente impossível.

Acontece que o ser humano, às vezes, ou sempre (o que é muito triste), perde a capacidade de sentir o outro, ou seja, não deixa por alguns segundos a sua vontade e se submete à vontade do outro, é fácil fazer alguém feliz, é só não exigir aquilo que ele não pode dar. Por exemplo: quando encontramos alguém profundamente triste, exigimos dele um sorriso, quando na verdade o que ele pode dar a você no momento é seu choro. Quando encontramos alguém muito feliz, ou fazemos com que ele se sinta mal por estar feliz dizendo que estamos com um problema enorme e que não temos a mesma sorte que ele, ou falamos “se eu fosse você não ficaria tão feliz assim, já que existe a possibilidade disso terminar mal”, e assim acabamos com o que esse alguém podia dar naquele momento, que é sua alegria.

A nossa pior exigência é feita quando estamos diante de alguém com um problema. Seja ele do tamanho que for, exigimos imediatamente que a pessoa pare de pensar nele. Agimos assim porque é a nossa maneira automática de confortar a pessoa e, ao mesmo tempo, não nos envolver no problema dela. A meu ver, quando se tem um problema a única maneira de esquecê-lo é resolvendo-o, e para resolver é necessário se confrontar com ele. Exigimos amor, amizade, disciplina, carinho, atenção, quando na verdade tudo isso não é exigido, e sim conquistado... E então, o que exigiram de você hoje?

Amanda P. Dippólito, estudante de pedagogia do Iesb-Preve

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