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Setor sucroalcooleiro precisa de organização

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Para que o setor sucroalcooleiro encontre o caminho certo e consiga recuperar as perdas acumuladas por conta das três últimas safras que tiveram um preço de venda menor do que o de custo é necessário se organizar. Essa é a opinião do presidente da mesa diretora de cana-de-açúcar da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Edson José Ustulin.

“Foi preciso desencadear uma crise no setor para aprendermos a lidar com a situação. Queremos preços compatíveis, não especulativos. Queremos valores que cubram os custos e existe essa possibilidade. O setor não é organizado, não existe uma única entidade que defenda o setor, são várias, no Brasil. Precisamos ser organizados e unidos para conseguir mobilizar os produtores e viabilizar nossa atividade.”

Para Ustulin, a expansão do setor sucroalcooleiro causou o excesso de oferta de cana, provocando um desequilíbrio que gerou a crise do setor. “Essa crise culminou com a venda de usinas, recuperação judicial de outras. A situação ficou financeiramente difícil. Tivemos três safras de preços realmente ruins. Muito abaixo do custo de produção. A tonelada da cana estava sendo vendida por R$ 43,00 contra um custo de R$ 56,00. É um setor que está à deriva. Não somos regidos pelo setor privado e nem pelo público.”

Na opinião dele é preciso administrar melhor a liberação de recursos públicos para a instalação de novas usinas. “Não se pode instalar usinas quando não tem mercado. O governo tem que achar uma fórmula de estabelecer cotas ou seja o que for. Enfim o governo precisa analisar. Estamos carregando uma dívida. Não temos políticas agrícolas. Falta logística, infra-estrutura, crédito. Os encargos sociais são primitivos que somados a uma série de fatores fazem com que a atividade não seja lucrativa. No setor agrícola, nada dá lucro e os produtores correm o risco de cair no banco e perder seu patrimônio.”

Ustulin acha que é necessário planejar e ter critérios para liberação de verbas. “O dinheiro público não pode ser direcionado para o setor sem critérios. Não podemos trabalhar de forma empírica, primária. Antes mesmo dos investimentos é preciso planejamento, critérios. Tivemos uma safra de alto custo.”

Em 2009, o Brasil produziu de 550 a 580 milhões de toneladas de cana. O Estado de São Paulo São Paulo algo em torno de 400 milhões de toneladas. “A safra 2009 vai até março. O setor vislumbra uma safra recorde com preços estáveis para 2010. Podemos atingir as 600 milhões de toneladas.”

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