O corte manual e a queima da palha da cana-de-açúcar estão cada vez mais fora de cena nos canaviais do Estado de São Paulo. A previsão é da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp). “A mecanização das lavouras de cana fecha o ano com 54% de áreas mecanizadas e tendência de aumento. Os canaviais estão migrando para terrenos mais planos, com menos declive onde a máquina consiga entrar para colher. Acredito que em 2009 a mecanização vá superar os 60%”, diz o chefe do departamento econômico da federação, Cláudio Silveira Brisolara.
O engenheiro agrícola da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), Denilson Helásio Vitti, compactua da mesma opinião. “A mecanização está bem acentuada na nossa região. Acho que a tendência é de aumento, porque a mão-de-obra está difícil. O problema ambiental tem que ser resolvido até 2014 quando não terá mais queima de cana na região.”
Segundo ele, as áreas de plantio de cana no Estado de São Paulo não avançaram. “São informações contraditórias. As áreas de plantio do produtor independente não aumentou. Alguns mantiveram a mesma, outros nem replantaram na mesma proporção, em função do preço. O preço da cana começou a reagir este ano, mas os 2 anos anteriores foram muito ruins. O produtor se descapitalizou e em algumas situações optou por não replantar.”
Os que não estão replantando migraram para a agropecuária. “Temos que entender a situação de cada produtor. Aqueles que têm contrato a longo prazo e não migraram para outra atividade, terão que suportar. A maioria, que arrendou praticamente todo o espaço para cana, não teve oportunidade de alterar a produção. O grande produtor, que também é pecuarista e tinha dado uma certa área para cana, não renovou a plantação. Esse produtor conseguiu migrar para outra atividade.”
Brisolara acredita que a safra 2010 será semelhante à de 2009. “A produção 2009 foi superior a 2008 no País. Algo em torno de 6 a 7%. A expectativa é de crescimento ainda que pequeno. Este ano, muitas usinas tiveram problemas financeiros e não expandiram muito a produção.”
A chuva que influenciou no teor de sacarose da cana-de-açúcar e atrapalhou a colheita está ajudando os novos plantios, o rebrote da cana. “Isso pode influenciar na produtividade. Podemos ter uma produção maior no próximo ano, um aumento em torno de 3 a 4%.”