O Natal já passou, mas os bairros de Bauru ainda estão em clima de festa. Com a contagem regressiva para a chegada do novo ano, a correria típica da busca por presentes acabou e deu lugar a um clima ameno, de confraternização. Comemorar e se cercar de bons desejos parecem ser as ordens da semana e, para dar boas vindas a 2010, o vinho é considerado tradicionalmente a bebida ideal.
A associação entre vinhos e festas data de muito tempo. Reza a mitologia que a bebida foi criada pelo semideus romano Baco, também conhecido como Dionísio pelos gregos. Ele era famoso por ser o deus das festas, do prazer, do lazer e da folia, e popular por ser amante da paz e promotor da civilização. Baco teria descoberto o vinho por acaso, quando provou do gosto de uvas amassadas, caídas de uma parreira próxima do local onde ele foi criado.
Histórias mais populares, como as contadas pela Bíblia, também apontam para a presença da bebida em comemorações como, por exemplo, a famosa Bodas de Canaã, quando Jesus transformou água em vinho, ou nas tradicionais ceias realizadas entre Ele e seus discípulos.
E é exatamente a ligação entre a bebida, as festas e a história que despertam o interesse dos apreciadores de vinho, os enófilos. “O vinho é uma bebida apaixonante e única: ele promove a amizade, aproxima as pessoas e permite compartilhar conhecimentos. O encanto reside no fato de que o sabor de cada garrafa é sempre diferente da outra, isso porque varia de acordo com o local e a forma como foi produzido”, explica Simone Ghedini, professora universitária e integrante da Confraria Feminina Bauruense.
Foi com o objetivo de estudar as particularidades dos vinhos que, há cerca de dois anos e meio, Ghedini e mais três amigas decidiram criar uma confraria. “Nos reuníamos freqüentemente para conversar e nos descontrair, e sempre acabávamos degustando um vinho e debatendo a respeito dele. Foi então que tivemos a idéia de criar uma confraria. Convidamos mais algumas pessoas e formalizamos nosso encontro mensal”, conta Ghedini.
Ela acrescenta que com a decisão de estudar vinhos, a Confraria Feminina marcou a história. “Ainda não é muito comum ver mulheres estudando e falando de vinho, que é tido como assunto tipicamente masculino. Quando criamos a Confraria quebramos este paradigma e conquistamos mais um espaço. Inclusive somos muito boas nisso”, garante.
Também foi com a intenção de estudar a bebida milenar que surgiram as outras duas confrarias de Bauru: a Confraria Bauruense Amigos do Vinho (Cobavin) e a Enoconfraria, existentes há 6 anos e 4 anos e meio, respectivamente.
“As tradicionais festas de final de ano são uma porta de entrada para quem aprecia e deseja estudar vinhos. A medida que você vai conhecendo, vai percebendo que muitos mistérios e prazeres cercam a bebida. Percebe que apreciar um bom vinho envolve fatores que vão além da simples degustação. A pessoa passa a se interessar em conhecer a região de onde ele é proveniente, em que isso interferiu no sabor e no aroma, entre outras coisas. Enfim, vinhos são bebidas vivas, fontes de conhecimento”, analisa Jefferson Previero, membro da Cobavin.
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Visão, olfato e paladar
Luiz Antônio Ruiz, membro da Enoconfraria Bauruense, destaca que o estudo dos vinhos aprimora o desenvolvimento dos sentidos, além de trazer benesses para a saúde. “Para abstrair tudo de bom que um vinho tem para oferecer, é preciso analisá-lo sob diversos aspectos. No caso da confraria sempre fazemos um exercício antes da degustação: primeiro observamos o vinho visualmente, prestando atenção em aspectos como a cor e o brilho do líquido. Depois, o apreciamos com o olfato, sentimos o aroma e, por fim, bebemos. Assim trabalhamos a visão, o olfato e o paladar”, enumera.
Ruiz explica que os encontros para estudar a bebida são planejados. “A princípio estudamos os tipos de uva, e provamos os respectivos vinhos. Depois partimos para as regiões: na Enoconfraria, começamos estudando os vinhos brasileiros de cada região, passamos para outros países da América do Sul e, no momento, estamos conhecendo os sabores do Velho Mundo”, destaca.
Jefferson Previero, membro da Confraria Bauruense Amigos do Vinho (Cobavin), acrescenta que o estudo é necessário para obter o melhor de cada garrafa. “Com o vinho é possível obter prazer, saúde e, de quebra, conhecer um pouco de cada parte do mundo. Estudá-lo permite extrair o máximo que a bebida pode oferecer”, pondera.