Washington - O menino Sean mudou-se para os EUA por vontade própria. Quem diz isso é o pai, David Goldman, segundo trechos da entrevista que ele deu com exclusividade à NBC, a primeira desde a reunião dos dois. Parte da conversa vai ao ar hoje no programa de variedades matutino "Today", às 7h locais (10h de Brasília), e parte no "Dateline" de 8 de janeiro, em especial de duas horas sobre o caso.
"Ele veio por conta própria", diz o norte-americano à apresentadora Meredith Vieira. "E ele está aqui agora, com seus primos. Eles estão se divertindo." A emissora não revela onde foi feita a entrevista, provavelmente a pedido do pai, mas especula-se que os dois passaram o Natal em Orlando, na Flórida, e só embarquem nessa semana para a casa dos Goldman em Tinton Falls, em Nova Jersey.
Mais adiante, David reforça o ponto de que o garoto não foi forçado a nada, embora a passagem de custódia da família materna para o pai tenha sido resultado de uma decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, na quinta, depois de longa disputa judicial. Sean "nunca disse: "Eu não quero ir com você, eu não quero ficar com você'. Ele não resistiu nada", afirma David. "Ao mesmo tempo, estava sofrendo muito. O que viveu é incomensurável", disse o pai.
O americano volta a criticar as circunstâncias da entrega do menino no Consulado dos EUA no Rio, ocorrida na manhã do dia 24 último. Em meio a tumulto por conta do assédio da imprensa. David Goldman acredita que a entrega tenha sido feita em público como retaliação, o que a família materna nega. "Espero que ele não tenha pesadelos pelo resto da vida por causa daquele dia", afirma o pai.
"Nunca vou entendê-los (os familiares brasileiros)", diz ele à jornalista, segundo trechos divulgados hoje. "Não acredito que alguém com uma lógica racional e amor verdadeiro possa compreender aquele espetáculo que eles criaram lá." Ao mesmo tempo, ele elogia a ausência de violência no episódio.