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Um futuro não tão distante

Luiz Alberto Coradi
| Tempo de leitura: 3 min

Muito se discute atualmente acerca do aquecimento global e da emissão de gases do efeito estufa (GEE). Todos concordam que é preciso reduzir as emissões desses gases, mas poucos concordam em reduzir suas próprias emissões nos níveis necessários, sempre com o argumento de que isso causaria prejuízos à economia de seus países, mas o fato incontestável é que esses prejuízos virão de qualquer forma, pois se o homem não toma a iniciativa, a natureza certamente o fará, mais cedo ou mais tarde, talvez mais cedo do que se espera.

O recém-encerrado encontro de Copenhage foi um fiasco total e jogou um balde de água fria nas expectativas mundiais de um consenso sobre o problema ambiental. Os países ricos não aceitam reduções pré-estabelecidas, comprometendo-se tão somente a fazer o possível para reduzi-las, algo parecido com não fazer nada. Os países em desenvolvimento não querem pagar sozinhos o custo do menor crescimento, logo agora que chegou sua hora de crescer, passando a responsabilidade para os ricos. Os países pobres não conseguem sequer ser ouvidos, eles que, em tese, serão os maiores prejudicados com os efeitos que o aquecimento global tende a acarretar à produção de alimentos, quando deve prevalecer a lei do mais forte, do “salve-se quem puder” ou “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Felizmente, na contramão do comportamento dos líderes mundiais, a população vem exercendo um papel fundamental na luta pela redução dos efeitos nefastos da emissão de GEE, seja pressionando seus governos a tomar atitudes mais eficazes, seja conscientizando-se de suas responsabilidades diuturnas no processo de aquecimento global. É claro que essa conscientização é ainda incipiente, mas o importante é que vem crescendo rapidamente, especialmente nos países mais desenvolvidos, exceto talvez no mais importante deles. E todo governante sabe que contra a opinião pública não há argumentos, e nem votos.

Diante desse quadro, talvez a mais árdua tarefa a ser enfrentada seja o “enquadramento” dos dois maiores poluidores do planeta: EUA e China. O primeiro, apesar da liderança no planeta e da riqueza que ostenta, tem também a população mais consumista e desinteressada com o que acontece fora de suas fronteiras, da qual não se pode esperar atitudes como as observadas na comunidade européia, por exemplo. No caso da China, com um regime fechado e uma população enorme e majoritariamente pobre, que vislumbra um futuro melhor em função do atual crescimento econômico exuberante, não se pode esperar pressão popular e muito menos atitude política que possa reduzir suas emissões num futuro próximo.

O Brasil, no mesmo barco da China, bolas da vez do crescimento econômico, juntamente com a Índia, faz a política da boa vizinhança. Aperta nas críticas aos países ricos, mas também defende seu “direito” de poluir para crescer, tendo a seu favor o fato de que seu crescimento vem se mostrando mais gradativo, diversificado e contando com uma matriz energética única no mundo, calcada nos biocombustíveis e na energia hidrelétrica, embora o petróleo venha aumentando sua parcela nesse mix. Não estamos, portanto, isentos de culpa no cartório , mas a natureza e as circunstâncias parecem estar conspirando a nosso favor. E se alguém tinha alguma dúvida de que medidas eficazes e consensuais em nível mundial somente serão tomadas quando a água, sem trocadilho, estiver batendo no pescoço, a cúpula mundial de Copenhague não contribuiu em nada para desfazer esse pressentimento.

O autor, Luiz Alberto Coradi, é engenheiro agrônomo

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