Mais uma bomba não suportou o funcionamento no poço profundo da Nações Unidas. É o terceiro equipamento que queima em um intervalo de apenas nove meses e a quarta intervenção do Departamento de Água e Esgoto (DAE) no local em um ano.
A autarquia soube do novo problema na bomba às 0h30 do início do domingo, segundo o diretor de Produção e Reservação do DAE, engenheiro Isaar de Almeida. Mas a informação só foi confirmada ontem à tarde, após o JC levantar as causas de substituição de equipamento que estava em andamento nas instalações do poço, próximo à avenida Nações Unidas, e questionar sobre a turbidez no abastecimento de água vindo do sistema Batalha (resposta ainda em análise).
A região do Bauru Shopping só não teve falta de abastecimento no domingo porque o reservatório dessa área estava cheio. Além disso, o DAE conseguiu contornar a dificuldade na produção da Estação de Tratamento de Água (ETA) reduzindo a vazão, no domingo, de 650 litros por segundo para 250 l/s. O abastecimento da ETA daria fôlego com a interligação do sistema, caso fosse necessário.
Com a queima de ontem, é a quarta troca de bomba em 12 meses. Em 5 de dezembro de 2008, a autarquia reformou o equipamento do poço Nações Unidas. Em 17 de abril deste ano, esta bomba parou e foi trocada por uma nova. Mas, no mês seguinte, o equipamento novinho voltou a queimar.
Segundo o diretor Isaar de Almeida, a filmagem do poço de 162 metros de profunidade é quem dará respostas para a nova pane. “Estamos filmando de novo o poço porque as imagens realizadas no ano passado não ficaram boas. A qualidade não ficou boa e não foi possível ver o que aconteceu na época. A partir da filmagem de hoje (ontem), vamos ter laudo da situação do poço e analisar a situação no DAE e junto com técnicos do DAEE de Araraquara”, contou o engenheiro.
O presidente do DAE, Rafael Ribeiro, justificou que, quando a terceira bomba foi instalada, em maio deste ano, o órgão optou por não realizar a filmagem do poço para que o problema de abastecimento não se prolongasse. Agora, a interligação com o sistema da ETA, próximo da Nações Unidas, permite à autarquia o diagnóstico estrutural do poço.
“Não sabemos o que aconteceu, mas a filmagem vai trazer a resposta. Vamos ver se algum filtro estourou e gerou a queima da bomba, se desmoronou terra ou se teve outro problema”, mencionou Ribeiro.
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Alerta do sistema
O poço Nações Unidas produz 95 mil m3 de água por hora. Oficialmente, o DAE informou, nas ocorrências anteriores apenas o trivial: “Houve problema eletromecânico na bomba do poço Nações Unidas (UP-29), localizado na Rua Henrique Savi, quadra 01”. Ontem, apesar da pane ter se iniciado em pleno domingo de feriado, nenhum dado foi divulgado a respeito.
Neste ano, o sistema de abastecimento de água de poços profundos apresentou ocorrências por razões variadas. A pane no Distrito Industrial 3 foi tida como por desmoronamento na parede do poço em pleno Carnaval. Já a falta de manutenção no booster (bomba que ‘puxa’ água para o reservatório do Altos da Cidade, no canteiro da avenida Comendador Martha) teria sido a razão de outra falha no abastecimento na região do Estoril. A “gaxeta desgastou”, verificou o próprio JC, in loco, nesta ocorrência.
Não há informações seguras sobre relatório de acompanhamento de componentes eletromecânicos nas unidades e, no início deste ano, a autarquia alegava enfrentar dificuldades até com reposição de estoque mínimo de peças e dispositivos que mais apresentam defeitos ou desgaste.
Mas, como ontem, o DAE tem dificuldade até na localização de processos de contratação de serviços de filmagem já realizados; a identificação de laudos dos poços é falha, sem contar os dados truncados sobre a verificação eletromecânica e planilhas de checagem dos níveis dinâmico e estático das unidades.
Faltam informações, faltam processos e transparência, como a desativação igualmente misteriosa da unidade do Vânia Maria, há meses. O DAE também ficou, nos últimos meses, com mais de uma bomba parada longe da cidade, à espera de laudo que ninguém sabe ou se tem notícia até hoje.