O taxista Rui Francisco Martins, 40 anos, foi assaltado e raptado por volta das 22h de anteontem enquanto trabalhava no ponto de táxi do Terminal Rodoviário de Bauru. Ele foi trancado dentro do porta-malas do carro, amarrado pelos criminosos e deixado em uma estrada próxima ao bairro do Tanquinho, em Ribeirão Preto.
O homem teve o carro roubado e só conseguiu se soltar das amarras por volta das 8h de ontem, quando caminhou até uma padaria e, de lá, solicitou ajuda policial. Ele retornou a Bauru no início da noite de ontem e, apesar do abalo emocional e físico, passa bem.
De acordo com o relato de Luiz Carlos Gonçalves - outro taxista que estava no ponto da rodoviária com Martins-, um homem solicitou a ele uma corrida até o Parque Jaraguá, mas disse que precisava pegar a esposa e um amigo em outros locais. Suspeitando da situação, Gonçalves decidiu não levar o passageiro e avisou os colegas que estavam na fila de táxis para não realizarem a corrida. “Escapei dessa, mas não deu tempo de avisar ele (Martins)”, afirma.
O carro de Martins, um Gol vermelho, ano 2006, estava parado no ponto do outro lado da rodoviária. Sem saber do ocorrido com o companheiro, ele aceitou o passageiro e saiu com o carro.
Segundo o taxista, dois indivíduos pardos, de estatura mediana, com cabelos pretos e curtos, solicitaram uma corrida para Ribeirão Preto, a 228 quilômetros de distância de Bauru. Antes, no entanto, eles seguiram até o Parque Jaraguá, quando a dupla, armada, anunciou o assalto e trancou o homem dentro do porta-malas, de onde ele ainda foi obrigado a ensinar o caminho para a saída da cidade até Ribeirão.
“Eles gritavam, diziam que iam estourar minha cabeça. Foi uma pressão psicológica terrível, além do desconforto, já que peso 120 quilos e tive que ficar por mais de duas horas dentro do porta-malas de um Gol”, relembra Martins. Depois de chegarem à cidade, os assaltantes amarraram as mãos e pés do taxista, levaram o carro, documentos e deixaram o homem em um matagal, às margens de uma estrada próxima ao bairro Tanquinho.
Após aproximadamente cinco horas, de acordo com o cálculo de Martins, ele conseguiu se soltar das amarras e caminhando até uma padaria próxima. Lá, fez ligações para a polícia e para os companheiros do ponto informando o ocorrido.
Ainda se recuperando do susto, ele espera que a ocorrência sirva de alerta para as autoridades policiais e políticas a respeito da situação de vulnerabilidade em que vivem os taxistas que trabalham no Terminal Rodoviário. “Essa é a quarta vez que fui assaltado neste ano. E o que ocorre comigo também ocorre com os colegas. É uma situação insustentável”, afirma.
Medo
Os taxistas que trabalham no ponto da rodoviária alegam que o local não tem segurança. Segundo eles, o policiamento acaba às 18h e, à noite, não há patrulhamento no local. Para os profissionais, o ideal seria a instalação de uma base da Polícia Militar (PM).
Para o taxista Antonio Donizete Paixão, a sensação é de insegurança. “São 24 pais de família que ficam aqui na sorte, a Deus dará. Vagabundo deita e rola com a gente. Depois das 18h, ficam as câmeras (de segurança interna). Mas o que as câmeras fazem? Nada”, reclama.
Rogério da Silva Souza, outro trabalhador do local, sugere uma base permanente da PM na rodoviária. “Quem acaba fazendo a segurança aqui à noite, até dos passageiros, somos nós. Principalmente nesta época que tem saída de presos, fica complicado. O ideal seria um posto efetivo da Polícia Militar aqui”, diz.
Segundo o tenente-coronel Benedito Roberto Meira, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), a criação de um posto no local é inviável. “Não temos efetivo disponível para instalar uma base no terminal rodoviário. A distribuição das bases é estratégica. Então, criar posto policial está fora de cogitação”, explica.
Meira diz ainda que o Terminal Rodoviário está na área atendida pela Base Comunitária Norte da PM e que há um ponto de estacionamento de viatura no local. O policiamento é feito diariamente por viaturas que estacionam no ponto determinado por pelo menos 30 minutos a cada duas horas. Segundo o comandante, o procedimento acontece o dia todo.