Bairros

Trânsito assusta moradores da zona sul

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Os constantes abusos praticados por motoristas (tanto de madrugada quanto durante o dia) têm colocado em risco as pessoas que circulam pela avenida Affonso José Aiello, na zona sul de Bauru. A situação é mais grave no trecho que dá acesso à avenida Getúlio Vargas, uma via de mão única repleta de curvas e desprovida de calçadas. Nos últimos quatro anos, duas pessoas morreram após se acidentarem no local.

Ocorrências de menor gravidade são comuns na avenida. Volta e meia, um poste de transmissão de energia é destruído em virtude de alguma colisão com veículo automotor. Segundo a assessoria de imprensa da CPFL Paulista, três postes de iluminação pública precisaram ser substituídos no local neste ano, em função de acidentes automobilísticos.

O último caso dessa natureza aconteceu na madrugada de anteontem. Um Ford Fiesta com placas de Bauru saiu da pista de rolamento e chocou-se contra um poste localizado na quadra 8 da via. O acidente cortou o fornecimento de energia para condomínios situados naquela região. Os moradores ficaram sem energia elétrica das 3h às 10h.

A reportagem apurou que, somente este ano, pelo menos cinco postes foram danificados na avenida Affonso José Aiello em virtude dos acidentes de trânsito. Indignados com a situação, moradores dos condomínios instalados ao longo da via procuraram o Jornal da Cidade para reclamar dos abusos cometidos pelos motoristas que circulam pela região.

Segundo os relatos feitos à reportagem, a Affonso José Aiello teria dois pontos críticos. Um deles é o trecho duplicado, situado a algumas centenas de metros da rodovia Bauru-Ipaussu (SP-225). A pista, que deveria servir de interligação com a rodovia, termina em um matagal. O beco sem saída costuma ser usado por jovens para encontros regados a álcool e drogas.

Excessos

No final da noite, quando todos vão embora, é comum ocorrerem acidentes, em decorrência dos excessos ao volante impulsionados pelo álcool. “De madrugada, é fácil ouvir pneus ‘cantando’ aqui perto. O pessoal acelera pesado”, afirma um homem de 57 anos, que vive no local desde 2005.

“Todo final de semana alguém derruba um poste na avenida. Aqui ninguém respeita nada. O limite de velocidade, de 50 quilômetros por hora, é ‘para inglês ver’”, diz Paulo Holloway, 56 anos, morador de um condomínio instalado na região.

Outro ponto considerado crítico pelos moradores é o trecho de pista simples que dá acesso à avenida Getúlio Vargas. Repleta de curvas e mal sinalizada, a via não conta sequer com calçadas para pedestres. Se de madrugada o perigo está nos jovens que dirigem embriagados, de manhã passa a se personificar nos caminhões que circulam em altas velocidades. “Nós, que vivemos nessa região, temos medo de que esse trecho se transforme numa ‘curva da morte’”, diz o homem de 57 anos citado anteriormente.

Os moradores solicitam a instalação de lombadas de solo e um radar fixo na avenida, com objetivo de forçar os veículos a diminuir a velocidade quando transitarem pelo local. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) afirma já ter recebido diversos pedidos para a implantação de fiscalização eletrônica na Affonso José Aiello.

Quando os radares voltarem a funcionar na cidade (isso está previsto para acontecer na primeira quinzena de 2010), técnicos da autarquia visitarão a avenida para avaliar as solicitações.

Sobre a lombada de solo, a Emdurb afirma já ter recebido pedidos para instalação do equipamento. Um dos requerimentos, registrado em julho deste ano com o número 2.194, já foi deferido. O projeto se encontra na Secretaria Municipal de Obras, onde aguarda para ser executado.

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Fiscalização

O comandante da 1.ª Companhia de Polícia Militar (1.ª Cia da PM) em Bauru, capitão Renato Ramos, informou que a corporação tem intensificado o trabalho de fiscalização não apenas na avenida Affonso José Aiello, mas também nas vias adjacentes.

“Temos posicionado bloqueios não só naquela via, como também na Getúlio Vargas e na rua das Festas”, afirma Ramos. Ele lembra que, segundo a lei, os motoristas só podem ser autuados pela polícia quando estão conduzindo um veículo de maneira irregular (sob estado de embriaguez, por exemplo).

No caso daqueles que permanecem bebendo ao lado de um veículo estacionado, os agentes não têm como afirmar que essas pessoas irão infringir as leis de trânsito. Por outro lado, se cometerem alguma perturbação da ordem pública (deixarem o som ligado em alto volume, por exemplo), poderão vir a ser autuados pela polícia.

Nos finais de semana, a pista da Affonso José Aiello costuma ficar repleta de lixo (copos plásticos, garrafas vazias e preservativos usados) espalhado pelos freqüentadores das “baladas” ao ar livre.

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