Tribuna do Leitor

As espertezas e o respeito à liberdade


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Todos sabemos e já sentimos na própria pele as influências emocionais que ocorrem quando adquirimos ou nos momentos que antecedem a aquisição de algum bem ou serviço desejado ou necessário à nossa sobrevivência física, emocional, social, cultural... Tais influências alteram ainda mais nossos sentimentos quando essa aquisição está nos limites do nosso orçamento ou estamos sem a adequada provisão de recursos financeiros. De um lado, a utilização do tempo livre para comprar, proporciona, dentre outras, a sensação de liberdade e de prazer pelo passeio. Porém, a ansiedade é notória quando o nosso tempo é escasso e muitas vezes disputamos as melhores ou ainda remanescentes vagas nos estacionamentos dos supermercados.

Em nossa cidade, entendo que esses espaços estão bem sinalizados e alguns locais dispõem até de funcionários na orientação do fluxo de veículos. Mas o que comumente ocorre, em especial nos horários de demanda reprimida, é a ausência de educação de algumas pessoas que, na busca de espaço, usam e abusam do direito de praticar a tal esperteza, e da falta de respeito para com o semelhante ao transgredirem as regras colocadas por esses estabelecimentos comerciais. Será que precisaremos da presença dos “azuizinhos”, radares e até da Polícia Militar com  guincho à postos para coibir as irregularidades neles cometidas ? Penso que ainda não!

 Assim, embora o corpo receba aquela carga de influências inicialmente citadas, não devemos nos esquecer que nós só aumentamos nosso espaço de liberdade na medida em que exercitamos o respeito ao local e ao próximo, sem a necessidade de sermos vigiados. Afinal, sermos éticos também significa agirmos corretamente mesmo quando ninguém está nos observando. Nesse sentido, acreditando que a educação ainda é a melhor forma de corrigir tais procedimentos, tomo a liberdade de deixar uma sugestão para aqueles que se utilizam da esperteza e outra aos supermercados: aos “espertos”, para que realizem diariamente exercícios de reflexão e atitudes que conduzam ao crescimento e a evolução enquanto humanos, independentemente do seu nível social, cultural e financeiro.

 Aos supermercados, mesmo com a qualidade dos serviços já oferecidos, sugiro que contribuam com o processo educativo e de tomada de consciência através da distribuição de folhetos orientadores que despertem para a utilização adequada dos referidos estacionamentos.

 Finalizando, creio que assim estaremos contribuindo para que aumentemos nosso espaço de liberdade, de respeito mútuo e espírito de cidadania, na medida que eliminarmos as “espertezas” das nossas atitudes, quando utilizarmos esses ou quaisquer outros espaços privados ou públicos de múltipla convivência.

Roberto Bonelli

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