Teerã - O governo do Irã prendeu ao menos 10 figuras de liderança da oposição ontem, um dia depois de oito pessoas morrerem em protestos contra o governo iniciados durante um festival religioso dos muçulmanos xiitas, informou um site da oposição.
O site Norooz disse que três assessores do líder de oposição Mirhossein Mousavi foram detidos, junto com sete políticos pró-reforma.
O site da oposição Jaras afirmou que a polícia disparou gás lacrimogêneo ontem para dispersar os simpatizantes de Mousavi reunidos para manifestar as condolências pela morte do sobrinho dele, entre os mortos durante os protestos de domingo.
O Supremo Conselho de Segurança Nacional do Irã disse que oito pessoas morreram no Irã. O Ministério da Saúde afirmou que mais de 60 pessoas ficaram feridas em Teerã.
As mortes e o tamanho dos confrontos podem ser um sinal de uma nova fase na qual as forças de segurança leais ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, tentam pôr fim ao movimento reformista.
Não havia notícias sobre protestos ontem, depois que sites de oposição afirmaram que dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas nas cidades de várias regiões do Irã durante o festival da Ashura, no domingo.
As notícias não podem ser verificadas de uma forma independente porque a mídia estrangeira está proibida de cobrir diretamente os protestos. O sistema de mensagens de texto dos celulares também não estava funcionando em Teerã ontem.
Corpo escondido
Um dia após os piores confrontos entre manifestantes antirregime e forças de segurança no Irã desde o pleito de junho, a oposição denunciou ontem o “desaparecimento’’ do corpo do sobrinho do candidato derrotado Mir Hossein Mousavi, morto na véspera, e a detenção de sete oposicionistas.
Teerã negou o sumiço do corpo de Ali Mousavi do hospital em que se encontrava, alegando tê-lo levado para análise da causa da sua morte -assim como das outras vítimas.
Na véspera, Teerã atribuíra a sua morte a “atacantes desconhecidos” e, ontem, negou estar escondendo o seu corpo.
Reza Mousavi acusou o governo iraniano de fazer sumir o corpo do seu irmão, Ali, durante a noite. Para os opositores, Teerã teme que um cortejo fúnebre ou mesmo a localização do sobrinho do líder reformista sirva de pretexto para uma nova rodada de manifestações.
O governo do Irã confirmou ontem a morte de oito pessoas durante os protestos de ontem, mas negou a autoria. O número de vítimas é o maior em um só episódio desde a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad -estopim dos levantes no país.
Nos confrontos que resultaram na morte de Ali Mousavi foram presas 300 pessoas, e, segundo o governo, “dezenas de membros das forças de segurança” ficaram feridos - inclusive o chefe da polícia de Teerã.