Aos 57 anos, morreu no início da noite de ontem o cozinheiro Joaquim Augusto de Pereira Mesquita, o Juca Mesquita, um dos principais chefs de cozinha de Bauru. Ele permaneceu internado nos últimos três meses, após sofrer complicações durante o pós-operatório de uma cirurgia de redução de estômago.
Na véspera do Natal, chegou a receber alta para comemorar a data com a família e concedeu uma entrevista ao JC, mas anteontem, voltou a passar mal e foi internado novamente. Juca morreu por volta das 18h de ontem, após sofrer uma parada cardiorrespiratória.
Em janeiro de 2008, Juca foi o personagem da Entrevista da Semana do Jornal da Cidade. Com bom humor, relatou à reportagem sua paixão pela gastronomia e como ela se transformou em profissão. Nascido em Lins, foi em uma fazenda de Sertãozinho que Juca deu os primeiros passos no ramo, ainda pequeno, aprendendo desde como armazenar a carne dos porcos que eram abatidos até a preparar queijo e requeijão caseiros.
Mas foi a tentativa de resolver os conflitos com o pai, que adorava cozinhar, que proporcionou sua aproximação definitiva com a culinária, ainda durante a juventude. Em 1983, já vivendo em Bauru, o chef abriu o restaurante Cantina do Juca, na travessa da Boa Sorte, esquina com a rua Virgílio Malta, onde ofereceu um cardápio bastante personalizado e elogiado durante oito anos.
Depois, decidiu fechar as portas do estabelecimento e passou a dar cursos, consultorias e aulas em buffets e hotéis, além de elaborar cardápios para navios de turismo. Mas os seus maiores trabalhos em Bauru, segundo ele mesmo considerava, foram realizados na Cervejaria dos Monges e no Restaurante Victor, onde desenvolveu a idéia de oferecer cardápios temáticos aos clientes.
Além da gastronomia, o cozinheiro se dizia um apaixonado por carne de peixe, pela combinação entre uísque, gelo, água com gás e um bom charuto, pelo Pantanal e pelo ser humano.
O empresário Antonio Aliberti de Castro, amigo da família do cozinheiro, conta que Juca decidiu submeter-se a uma cirurgia de redução de estômago em razão da obesidade, mas sofreu uma hemorragia durante o pós-operatório e precisou permanecer internado. Quatro dias depois de receber alta, teve problemas respiratórios e voltou ao hospital na companhia do irmão e de um médico próximo da família.
Às 4h30 da madrugada de ontem, teve a primeira parada cardiorrespiratória e foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva, onde permaneceu até as 18h, quando teve outra parada e faleceu. “Acredito que o coração dele não suportou o esforço provocado por todas as mudanças depois da cirurgia. Mas foi um susto para todo mundo, porque ele estava bem até o Natal”, revela.
Castro comenta que Juca, além de profissional competente, era um amigo muito querido por todos. “Ele era maravilhoso, uma pessoa sempre alegre, que vai fazer falta para muita gente”, completa.
O engenheiro Veríssimo Barbeiro Filho, que trabalhou com o cozinheiro em seu projeto na Cervejaria dos Monges, em 2000, lamenta a perda do amigo não apenas para aqueles que o conheciam de perto, mas também para a cidade, pelo papel fundamental que Juca desempenhou na gastronomia local. “Ele fez um trabalho brilhante na cozinha da Cervejaria, que serviu de referência para o Brasil inteiro e contribuiu muito para divulgar o nome de Bauru. Ele é uma pessoa insubstituível como amigo e profissional”, observa.
Juca deixa esposa Sonia Tebet Mesquita, a mãe Inah e o irmão Geraldo, além de seis sobrinhos e três sobrinhos-netos. Seu corpo será velado até as 16h30 de hoje no salão nobre do Centro Velatório Terra Branca, na rua Gérson França, 5-5. De lá, segue para o Cemitério Jardim do Ypê, onde será sepultado.