O plantão operacional do Departamento de Água e Esgoto (DAE) falhou no último domingo, deixando em desespero das 14h19 até as 22h, os moradores da residência, no Parque Jaraguá. A Diretoria de Serviço de Manutenção da autarquia reconhece que houve falha na triagem da solicitação pela chefia de plantão, o que colocou em xeque a imagem do órgão em relação ao contribuinte e provocou a reação apavorada do próprio morador, ao ver sua calçada afundando por problema na rede de água, na rua.
Nos finais de semana chuvosos, as equipes de manutenção e urgência do DAE trabalham em excesso. São cinco equipes, com uma dupla de encanador e auxiliar cada uma, que percorrem dezenas de endereços para resolver problemas de vazamentos na calçada, na rede de água da via pública, de troca de registro, de vazamento em caixa de inspeção e poço de visita, de retorno de esgoto na rede, de desentupimento, reposição de asfalto por reparo anteriormente realizado e outras intervenções.
A demanda mostra a estreita relação entre jornada estressante, cansativa, e o profissionalismo da maioria dos servidores da autarquia. Em muitos casos, como no vazamento que gerou risco da água atingir a linha de alta tensão no Jardim Marilú, em pleno domingo de feriado de Natal, a chegada da equipe do DAE é o único alívio esperado por moradores.
A planilha de atendimento e execução do DAE do último domingo mostra que o serviço ao usuário (0800-7710195) recebeu 111 acionamentos, sendo 41 deles como reclamação por falta de água. Ou seja, de 70 serviços operacionais solicitados pelos moradores em pleno domingo, 55 foram executados pelas cinco equipes das Regionais de plantão, conforme a ordem de serviço expedida pela central.
As cinco equipes foram às ruas das 7h às 19h para solucionar oito casos de vazamento em calçadas, seis de vazamento na rede, nove em caixa de inspeção, entre outros. Mas, dos casos considerados mais graves, a falha da chefe de plantão, Josiene Adilson dos Santos, deixou, sem necessidade, a família de André Luiz Frederico, no Parque Jaraguá, em desesperado do início da tarde até as 22h do domingo.
Viatura no pátio
O encarregado de realizar a triagem dos casos potencialmente mais graves não saiu com sua viatura do pátio do DAE depois das 10h do plantão, no dia 27. Por esta razão, o rompimento da rede à beira da guia, na quadra 7 da rua Ayrton Busch, ficou exposto das 14h19 – hora da solicitação pelo morador Frederico – até tarde da noite. Uma única equipe cumpre os chamados das 19h às 7h do dia seguinte.
O agravante é que Josiene Adilson também é a diretora de Serviço de Manutenção do DAE. Ao avaliar o caso, o diretor da Divisão Técnica da autarquia, Manuelino Câmara Filho, foi exemplar na concreta avaliação do caso, em sinceridade incomum em estruturas públicas. “A solicitação do usuário era referente a vazamento na rede, à beira da guia, que gerou afundamento da calçada e trincas em seu imóvel. Era caso de gravidade, a triagem tinha de ter sido realizada pelo chefe do plantão. Mas, por motivos que vamos investigar, a viatura do responsável não saiu do pátio depois das 10h deste dia. Vamos advertir o chefe do plantão e monitorar esse tipo de ocorrência nos próximos plantões para corrigir o que for necessário”, pontuou.
O vazamento foi atacado depois das 21h30, quando o morador, desesperado, apelou para a Redação do JC. O presidente do DAE, Rafael Ribeiro, foi acionado, e uma retroescavadeira foi deslocada para o Parque Jaraguá. Estancado o vazamento, eliminando o risco de maiores danos ao imóvel de Frederico, o DAE compareceu logo cedo, na segunda-feira, ao local para reparar a calçada e parte da entrada da garagem da casa. As trincas serão eliminadas assim que o tempo melhorar, segundo o DAE.
Conforme a Divisão Técnica, a autarquia ataca prioritariamente duas situações: retorno de esgoto dentro de residência e vazamento com trinca ou afundamento em imóvel. O caso do Parque Jaraguá se enquadrava neste item, mas o usuário passou toda a tarde do domingo com medo do afundamento da calçada atingir sua casa.
Além de monitorar a triagem dos casos graves, o DAE também terá de verificar a forma de abordagem e argumentação pela central 0800. Moradores, como Frederico, reclamam de respostas grosseiras, ao invés da avaliação equilibrada dos casos. Outro item que entra na lista de revisão interna é a postura do setor de produção. O histórico mostra que não há comunicação para a central de problemas de falta de água (como nos casos dos poços do Vânia Maria e do Nações, além do problema no tratamento da ETA no último final de semana). Com isso, o plantonista não tem informações do próprio sistema, internamente, para pelo menos tentar argumentar as razões do desabastecimento ao usuário.