A área degradada em Paulistânia (48 quilômetros de Bauru) é de aproximadamente 33 hectares, 2,3 deles estão sendo recuperados e os demais estão na fase de encaminhamento. O município fez a inscrição eletrônica da área degradada e, em 60 dias, conquistou um interessado em recuperar parte da área deteriorada, segundo o secretário municipal de Agricultura, Meio Ambiente e Obras, engenheiro agrícola Rui Donizete Casarin.
“Os investidores viram as área disponíveis se manifestaram num prazo de mais ou menos 60 dias.”
O secretário ressalta que toda a ação é acompanhada por estudantes do ensino fundamental. “Nossa intenção é tornar essas crianças, adultos conscientes. Envolvemos os estudantes que acompanham e praticam o plantio de mudas em projeto ambiental.”
As mudas, o plantio e o trato são feitos por empresas especializadas com recursos daqueles que cometeram danos ambientais e que precisam ‘pagar’ por isso, é a compensação ambiental. Há ainda a compensação voluntária para emissões de gases de efeito estufa ou como ação voluntária de responsabilidade social. Essas são as opções para aqueles que pretendem colaborar com o planeta.
Casarin explica que empresas que provocam impacto ambientais podem fazer a compensação. “Aqui em Paulistânia é uma distribuidora de energia elétrica que corta algumas árvores nativas para a passagem de linhas de alta tensão e precisa repor. Como ela não tem área para plantio, foi ao banco de áreas e nos procurou.”
Para o produtor, dono da área, o custo é zero. “A empresa faz a recuperação a custo zero para o produtor para compensar alguma infração cometida. A manutenção do plantio também fica com a empresa que acompanha a recuperação pelo prazo de três anos. Ela faz todos os tratos culturais, a roçada, a capinação e o controle de formiga.”
Segundo Casarin, o plantio nos 2,3 hectares já começou. “É uma vegetação nativa, de mata ciliar. A fiscalização até o estabelecimento da floresta é feita pela empresa que ‘adotou’ a causa. Paralelamente desenvolvemos a educação ambiental com crianças da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Padre Sebastião de Oliveira Rocha.”
Os estudantes recebem conhecimentos teóricos e participam, juntamente com os professores do processo de plantio de espécies nativas. “Os professores conscientizam alunos para atingir finalidades da educação ambiental em suas fases principais com sensibilização, mobilização, informação e ação.”
Garantia de água limpa
A recuperação das matas ciliares em Paulistânia em dois córregos-Pinheirinho e São Gerônimo-tem funções ambientais importantes, como preservar os recursos hídricos, paisagem, biodiversidade, fluxo gênico da fauna e flora, proteção do solo contra erosão e degradação. “Para nós, a recuperação florestal é sinônimo de quantidade e qualidade de água. Água limpa, menos assoreamento nos córregos e adultos educados”, enfatiza o secretário Rui Donizete Casarin.”
Para ele, somente a educação ambiental é garantia de consciência ecológica das próximas gerações. “Eles vão crescer entendendo o que é um sequestro de carbono, por exemplo. O que é uma recuperação de água disponível, água limpa, tudo isso é altamente positivo.”
Casarin lembra que a queima de palha de cana joga milhões de toneladas de monóxido de carbono no ar. “As plantas, através da fotossíntese, transformam o CO2 em O (oxigênio). Todas as plantas fazem isso.”
Já as plantas nativas garantem a proteção do solo, diversificação biológica do solo, criação de pequenos animais. A mata ciliar funciona como filtros que impedem o assoreamento, as erosões. Temos biodiversidade maior.”
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Agressão à natureza ficou intensa
O trabalho de recuperação de mata ciliares nos Córregos São Gerônimo e Pinheirinho que abastecem a cidade de Paulistânia é exemplo de que com um pouco de esforço é possível restaurar áreas degradadas. Na opinião do secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Paulistânia, Rui Casarim, o meio ambiente é o local onde vivemos. “O desenvolvimento é fruto do que todos nós fazermos no lugar que ocupamos.” Com o desbravamento da região de Paulistânia no século XX, a agressão à natureza foi ficando cada vez mais intensa, segundo Casarin. “Os produtores rurais por falta de informação passaram a dominar a natureza, antes mesmo de dominar a si mesmo, e em virtude disso, houve diminuição da qualidade da água no município. Diminuiu a qualidade ambiental dos recursos naturais e o assoreamento com morte de mananciais. Sendo assim começamos a perceber que é necessário repensar o modelo de desenvolvimento utilizado.”