A festa da manifestação de Deus ao mundo
A palavra “epifania” vem do idioma grego “epipháneia” e significa apresentação, manifestação, revelação. Assim sendo, entendemos por festa da Epifania do Senhor a manifestação ou revelação de Jesus ao mundo. Naqueles dias do seu nascimento, Jesus foi manifestado ao mundo pagão quando os Reis Magos, vindos do Oriente e guiados por uma estrela, que misteriosamente aparecera no céu, encontraram em Belém numa manjedoura o Menino, com Maria e José. Jesus já fora revelado aos pastores, gente do povo pobre de Belém e região, pelos Anjos que anunciaram uma grande alegria, o nascimento do Salvador, e cantaram em coro “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc 2, 14). Ele fora também revelado às autoridades civis e religiosas da nação judaica (Rei Herodes, príncipes dos sacerdotes e escribas), quando, alertados pelos Magos do Oriente, descobriram nas Escrituras o sentido do aparecimento daquela estrela no céu, ou seja, a realização de uma velha profecia que dizia “E tu, Belém, terra de Judá, de forma alguma és a menor das cidades de Judá porque de ti sairá um chefe que apascentará meu povo Israel” (Mt 2, 6).
A festa dos Reis Magos
A Epifania ou manifestação do Senhor ao mundo é conhecida como a festa dos Reis Magos. Na Liturgia deste domingo (03/01/2010) é proclamado o Evangelho de Mateus (Mt 2, 1-12) que narra a longa caminhada dos Reis Magos: “Onde está o Rei dos Judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo”. E depois de terem adorado o Menino voltaram para a sua terra por outro caminho. São Paulo afirma na carta aos Efésios (2a. leitura do dia – Ef 3,2-3.5-6) que o mistério agora revelado em Cristo significa que “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo”. Na escuta do profeta Isaías (1a. leitura - Is 60,1-6) recordamos aquela sua profecia de que sobre Jerusalém descerá a glória do Senhor, a qual ficará toda iluminada e atrairá, com o clarão de sua luz, os povos envolvidos nas trevas, que se achegarão a ela, vindos de longe, como seus filhos e suas filhas, trazendo as riquezas de além mar, ouro e incenso, inundando a cidade de camelos e dromedários de Madiã e Efa, e todos proclamando a glória do Senhor. Com palavras de comovedora alegria, Isaías relata a festa da chegada desses povos distantes: “ao vê-los, Jerusalém, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte”. É o cumprimento da promessa que alentava o povo judeu nas suas orações, como rezamos no Salmo responsorial: “as nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!” (Sl. 72/71).
No início do caminho havia uma estrela
Não é suficiente que Jesus tenha nascido, no passado, e agora de novo, no Natal de 2009. É necessário que Ele seja manifestado e revelado a todo mundo crente e não crente, de todos os tempos e lugares. Precisamos sempre de novo descobrir a estrela que sinaliza e indica para cada um de nós, em particular, como batizados, e para todos nós, comunitariamente, como povo de Deus, o caminho de Deus a seguir, sua vontade e desígnio a obedecer, uma vocação e missão a cumprir, que em síntese consistem em acolher Deus na vida e em manifestar e revelar Deus ao mundo.
Ser estrela que brilha gratuitamente no céu
Não basta igualmente acolher Deus no coração, é necessário ser uma estrela que brilha no firmamento, generosa e gratuitamente, refletindo o clarão que vem de Deus. Esta é a missão do cristão batizado e da Igreja, ser luz do mundo, estrela no firmamento, sal da terra, fermento na massa, sinal de Deus, gesto revelador da sua bondade e misericórdia. Ser como essa estrela de Deus é ser missionário. A vocação cristã é, por natureza, uma vocação missionária.
Como seria bom se toda pessoa que olhasse para a gente, para nossas comunidades de fé, para todo cristão descobrisse em nós essa estrela de Belém, que manifesta Deus, revela seu rosto, sinaliza esperança, aponta caminhos de paz e bem.
Sigamos a Estrela de Deus, que no Natal de 2009 veio para nos apontar novos caminhos. Quem encontra Jesus Cristo não volta pela mesma estrada. Descobre caminhos novos, a exemplo dos Reis Magos, que voltaram para sua terra, mas por outra estrada.
Sejamos, em 2010, luz para os outros, uma Estrela que indica caminhos do bem, da paz, do amor; caminhos para Deus!
Dom Caetano Ferrari
Bispo Diocesano de Bauru
____________________
NOTÍCIA
Igreja de Santa Luzia será consagrada
No próximo dia 10 de janeiro, às 20h, a igreja de Santa Luzia, em Bauru, será consagrada em cerimônia presidida por Dom Caetano Ferrari e concelebrada pelo bispo Dom Ângelo Spina, que trará de Roma a relíquia de São Lourenço Mártir, para ser depositada no novo altar.
No Rito de Dedicação, que é muito antigo na Igreja Católica, as paredes e o altar são ungidos com o óleo do Crisma. Significa que o templo e assim, os fiéis – a Igreja viva – serão dedicados a Deus. A comunidade, ungida desde o Batismo, dará vida ao templo, agora também consagrado. Seu uso passa a ser exclusivo à reunião do povo de Deus e às celebrações sagradas. Neste mês, a paróquia comemora os 41 anos de sua criação. O pároco, padre frei Alfredo Francisco de Souza, convida a todos para a celebração.
Igreja Santa Luzia
Rua Emílio Viegas, 4-57, Vila Santa Luzia – Bauru. Fone: (14) 3239-3045
Perguntas para dom Caetano podem ser enviadas para o e-mail: pascom@bispadobauru.com.br
É importante colocar nome completo e endereço.