Regional

Solo de Bauru pode ‘esconder’ dinos

Ricardo Santana
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O município de Bauru cresceu sobre o que pode ser um vasto cemitério de dinos (pré-histórico). A descoberta de fósseis alimenta esta hipótese, afirma William Nava, coordenador do Museu de Paleontologia de Marília. Nava ressalta que estudos geológicos indicaram que o município de Bauru está assentado sobre uma “mistura” de camadas rochosas que englobam não somente o período Cretáceo, mas camadas mais antigas, datadas de antes da época dos dinos. A avaliação foi feita por pesquisadores da Unesp de Rio Claro anos atrás.

A pista para os pesquisadores é a presença de rochas sedimentares expostas. Em 2001, Nava localizou na serra de Gália-Duartina, na SP-294, um grande fragmento ósseo pertencente a um dinossauro do grupo dos saurópodes, provavelmente um titanossauro. O pedaço de osso faria parte do úmero (braço) e, pelas proporções, indicaria que o animal seria de grandes proporções. Em 2006, surgiram alguns microfósseis (pequenas conchinhas que habitavam lagoas) do Cretáceo, numa exposição de rochas nas proximidades do Horto Aimorés, a 8 quilômetros de Bauru, na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), na pista sentido Jaú-Bauru. “Talvez se pudéssemos ampliar o local e expor mais rochas encontraríamos outros fósseis também”, sugere.

Nos anos 60, em Piratininga, o pesquisador relembra que foram localizados escamas de peixe também datadas do Cretáceo. Os fósseis afloraram durante uma perfuração de um poço pelo extinto Instituto Geográfico e Geológico (IGG).

“Há fósseis por toda a região, o que não existe é gente procurando, gente interessada no assunto. Posso dizer que sou o único aqui no Oeste, pois pesquiso as rochas que ficam entre Marília-Adamantina-Presidente Prudente, e tenho encontrado muitos fósseis, principalmente de dinossauros e crocodilos”, afirma Nava.

Ele explica que há fósseis soterrados da região que parte de Bauru, Araraquara e Barretos em direção ao oeste e noroeste do Estado. As partes de esqueletos, como o encontrado em abril em Marília, aparecem com maior frequência no Interior paulista em virtude de obras de construção civil e cultivo agrícola. Nava explica que estas atividades acabam cortando os terrenos e atingindo as rochas, revelando assim os fósseis. Marília, Pompéia e Echaporã ainda contam com a vantagem da topografia com colinas com escarpas rochosas. Em áreas planas, sengundo o pesquisador, é mais difícil a aparição de fósseis, pois não ocorrem cortes profundos no terreno.

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