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Promessa olímpica

José Mário Boneto Pereira
| Tempo de leitura: 2 min

Não é questão apenas de se ser pessimista ou otimista com relação às Olimpíadas de 2016 do Rio de Janeiro. É preciso ser escrupuloso quanto ao legado que será deixado para o futuro do esporte nacional. Precisamos todos estar cientes de que muito dinheiro será injetado para a realização do evento. E não basta fiscalizarmos os gastos; é dever nosso cuidar para que projetos e leis de desenvolvimento esportivo sejam criados e aprimorados, tal como exigir que os que já existam sejam executados por todo o país.

Muito se tem criticado, inclusive pelo presidente da República, o suposto pessimismo por parte dos mais céticos sobre o sucesso dos jogos olímpicos de 2016. Falam-se em antinacionalismo e em “complexo de vira-lata”. Mas é preciso basear-se na experiência do histórico esportivo nacional. O Brasil está longe de ser uma grande força olímpica, apesar do potencial de sê-la. Não temos uma política pública de base para o esporte, e comumente somos derrotados no quadro de medalhas por países menores como Cuba e Jamaica.

Não é preciso ir longe no tempo para constatar o despreparo brasileiro para com a edificação de um legado desportivo eficiente. Basta voltarmos o olhar para o Panamericano de 2007, ocorrido na cidade maravilhosa. Os jogos até não deixaram a desejar, com exceção de um ou outro vexame aqui e acolá, como o péssimo estado do campo de beisebol. Mas a despeito dos altíssimos investimentos, qual foi o indiscutível legado deixado? Ginásios e estádios mal utilizados, quando utilizados.

Temos que aproveitar essa oportunidade única de realizar uma extraordinária Olimpíada. Não para o mundo, mas primordialmente para o nosso país. É necessário agirmos pelo esporte a partir da escola pública, com professores gabaritados e valorizados, que estejam aptos a identificar uma promessa esportiva. Temos que cobrar uma estrutura escolar que permita a prática de várias modalidades esportivas, além do tradicional “futebolzinho” da educação física. Temos que reivindicar mecanismos de encaminhamento do jovem talento para centros desportivos e educacionais, possivelmente no Rio de Janeiro, onde serão investidos bilhões na criação da cidade olímpica. O Brasil é potencialmente uma nação olímpica. O sucesso da Olimpíada do Rio passa pela consagração do esporte nacional como ferramenta de democratização e de inclusão social.

O autor, José Mário Boneto Pereira, é formado em Ciências Sociais na Unesp de Marília

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