Ataques de tubarões, raias, cobras marinhas, perigo de explosões e de embolia traumática são alguns dos riscos que o mergulhador profissional Bruno Borges Santinoni, 28 anos, enfrenta todos os dias. Há três anos e meio, ele deixou de ser um instrutor recreativo de mergulho para se tornar um mergulhador comercial a serviço de empresas petrolíferas na África, Ásia e Europa.
Entre outras funções, Bruno faz inspeções de plataformas, analisa o grau de corrosão das bases de sustentação e ajuda na construção de comportas e até de usinas hidrelétricas. Segundo ele, é um serviço pesado, que exige bastante esforço físico e concentração. Carregar parafusos que medem um metro e meio e pesam cerca de 90 quilos é algo que ele já fez, assim como também já usou serra elétrica que pesa 50 quilos. Tudo embaixo da água. Muitas vezes com visibilidade quase zero.
De férias em Bauru, onde veio visitar os pais, algo que não fazia desde o início de 2008, ele contou um pouco das aventuras que vive dentro e fora da água nos diferentes continentes ao redor do planeta.
Em 2008, Bruno ficou 223 dias em alto mar. Teve mergulho que durou sete horas. A maior parte do trabalho que ele faz fica a cerca de 50 metros de profundidade, mas, às vezes, exige-se um pouco mais. Recentemente, ele esteve no Irã trabalhando a 80 metros debaixo da água inspecionando uma plataforma.
Embora tenha prestado serviço nos mais diferentes mares ao redor do mundo, Bruno tem residência fixa na Cidade do Cabo, a segunda maior cidade da África do Sul, com 3,5 milhões de habitantes. Ele divide um apartamento com dois amigos: um da Namíbia e outro da Grécia. “É uma cidade maravilhosa. Nunca estive em um lugar melhor”, elogia.
Ele embarcou para a África depois que um colega de mergulho recreativo o convenceu a entrar para o ramo comercial da profissão. Eles deixaram o trabalho com os turistas na Ilha de Malta, na Europa, e rumaram para o país africano.
Depois de mandar currículo para grandes empresas petrolíferas, Bruno começou a ser contratado para as mais diferentes tarefas na Tailândia, Egito, Moçambique, Angola, Espanha, Inglaterra, além, é claro, da África do Sul.
Entre uma inspeção e outra, Bruno fala que sobra pouco tempo para apreciar as belezas do fundo do mar. A concentração tem de ser máxima e o serviço é cronometrado. Eles têm prazos para cumprir. A contemplação fica sempre em segundo ou terceiro plano. Além do mais, a visibilidade nas águas da costa africana é muito reduzida, chegando apenas a alguns centímetros, o que não permite nenhum tipo de observação.
“Muitas vezes, temos de fazer o serviço usando o sentido do tato. Quando chegamos a dez metros de profundidade, não enxergamos mais nada”, conta ele.
Ataques
Bruno lembra que a visibilidade quase zero fez com que ele fosse atacado por um grupo de focas sem perceber a aproximação delas. Primeiro, ele sentiu uma mordida no ombro, depois na perna. Temendo novos ataques, ele pediu para subir à superfície. Conforme foi subindo, a visibilidade foi melhorando e ele conseguiu ver as focas nadando ao redor dele. Na verdade, elas queriam brincar e faziam isso mordendo. O problema, segundo Bruno, é que os dentes das focas são grandes e afiados.
Certa vez, ele estava andando no fundo do mar, em um trecho com 75 metros de profundidade, quando surgiu em sua frente uma raia, que ficou parada olhando para ele. Bruno diz ter ficado muito tenso naquele momento. As raias são famosas pela potência do veneno que possuem. Embora aparentem ser animais dóceis, elas podem atacar fatalmente por instinto de autodefesa. Felizmente, o animal foi embora em seguida.
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Tubarões
Viver momentos tensos faz parte da rotina do mergulhador Bruno Borges Santinoni. Ele já se viu diante de tubarões, mas não foi atacado. Ele relata que certa vez notou que um vulto passou às suas costas. Ele ficou observando o que poderia ser quando avistou uma baleia nadando atrás de si. Em outra oportunidade, Bruno diz ter sido atacado por cobras marinhas. Elas avançaram sobre as luzes que saíam de seu equipamento de mergulho.
Mas apesar dos riscos que enfrenta diariamente, Bruno diz que não se vê fazendo outra coisa. Enquanto não constituir família, vai continuar viajando o mundo e vivendo sua vida marinha. “Não consigo viver fora disso. Estou viciado nesse negócio”, afirma. Assim que terminar suas férias em Bauru, o mergulhador deverá voltar para a África e de lá irá para a Inglaterra, onde fará novos cursos de especialização. E Bruno vai sem data para voltar.