No início dos anos 90, Lula vem a Bauru acompanhado de dirigentes do PT. Preparamos a recepção e acertamos, entre as atividades, a visita a uma cervejaria em Agudos. Perto das 11h, ao chegarmos, a direção da empresa que aguardava a comitiva leva Lula para uma reunião. Enquanto isso, fomos encaminhados para um conhecido espaço daquela empresa, onde tradicionalmente era feita a recepção de visitantes. O aroma das coxinhas, empadinhas, risoles e quibes invadiu o ambiente e atiçou nossa fome quando garçons entraram trazendo bandejas com salgadinhos e as bebidas produzidas pela fábrica.
Lula, enquanto isso, continuava reunido com a direção da empresa. Quando volta a juntar-se ao grupo, é imediatamente chamado por um dirigente sindical que nos acompanhava: “Companheiro, vamos visitar a linha de produção, os trabalhadores nos esperam”, clama o sindicalista. Lula olha para o relógio, para as bandejas cheias e sai atrás da comitiva já banqueteada.
No final da tarde, antes do embarque da comitiva de retorno a São Paulo, estávamos eu, Lula e Arlindo nos sanitários do Aeroclube de Bauru quando Lula percebe, pelo espelho, a entrada do sindicalista que o havia afastado dos salgadinhos. Fingindo não percebê-lo, Lula comenta: “Arlindo, vou falar uma coisa, eu vejo peão todos os dias, o dia todo. Hoje, com a fome que eu estava, quando teria a chance de participar daquele banquete, tinha que aparecer um engraçadinho e me levar para ver peão”. O sindicalista fica roxo, dá meia volta e sai silencioso do banheiro.
Olhamos uns para os outros e caímos na gargalhada. Lula, ainda rindo, fala: “Peguei ele, hein!”
Contada por Luis Freitas