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‘Escorpião de Bauru’ é o mais venenoso

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Com a chegada do calor, os escorpiões voltam a invadir as residências de Bauru. Mas o que nem todo mundo sabe é que o escorpião amarelo, o tipo mais comum que habita a área urbana da cidade, é também o mais venenoso entre as espécies encontradas no País.

De acordo com o biólogo Roberto Marono, técnico de laboratório da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em animais peçonhentos, o veneno do Tityus Serrulatus (ou escorpião amarelo) pode até mesmo provocar a morte, dependendo de fatores como a quantidade de peçonha inoculada, a vulnerabilidade da vítima e a ausência de prestação de socorro. “Já soubemos de casos antigos, ocorridos na zona rural, de pessoas que foram picadas, não buscaram ajuda médica e acabaram falecendo. Mas não é algo comum de acontecer”, frisa.

De maneira geral, o veneno do artrópode age sobre o sistema nervoso periférico dos humanos, causando dor intensa, pontadas, aumento da pulsação cardíaca e diminuição da temperatura corporal. Estes sintomas são mais acentuados em crianças, devido ao pequeno porte, e em idosos com condições físicas debilitadas.

“Animais domésticos, pessoas que estejam com o organismo fragilizado e aquelas que tenham alergia à toxina do escorpião também são as que mais sofrem”, comenta o biólogo. Nos casos mais raros e graves, podem ocorrer episódios de náuseas, vômitos e sudorese, até a morte por insuficiência cardíaca e respiratória.

Em Bauru, uma vítima recente do aracnídeo, que preferiu não se identificar, conta que a dor da picada do escorpião amarelo beira o insuportável. “É uma dor que dura 24 horas e se espalha pelo corpo todo. Depois, surge uma íngua embaixo do braço”, conta ele, que já foi ferroado duas vezes ao manusear galhos secos, mesmo com o uso de luvas de proteção.

A última delas foi há apenas dois meses. “Eles são bichos rápidos a acabaram picando meu pulso. Antes de ir para o médico, tentei esperar a dor diminuir, mas não teve jeito”, relembra.

Escorpião marrom

Dentro da categoria dos escorpiões peçonhentos, além do Tityus Serrulatus, apenas o Tityus Bahiensis, mais conhecido como escorpião preto ou marrom, pode ser encontrado em Bauru. “Mas a incidência desse segundo tipo é menos frequente. Ele é um animal que prefere tempo mais úmido e, por esse motivo, fica mais concentrado em áreas de mata”, observa Marono.

Segundo o especialista, o veneno desta espécie tem o mesmo poder de intoxicação do escorpião amarelo. Mas, como geralmente consegue inocular menor quantidade de veneno, representa menor risco para as vítimas.

O biólogo explica que todos os escorpiões são venenosos. No entanto, são considerados peçonhentos somente aqueles que inoculam veneno com grau de toxicidade capaz de provocar a morte de seres humanos. Ao todo, eles representam apenas 25 espécies das mais de 1.600 catalogadas ao redor do mundo.

Mas, por serem partenogenéticos e se reproduzirem sem a necessidade da presença do macho, os escorpiões possuem uma grande facilidade para a procriação. “Em Bauru, os pesquisadores só encontraram fêmeas do Tityus Serrulatus. Elas têm uma grande capacidade de adaptação”, frisa Marono.

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Ciclo de vida

A cada incubação, que demora de dois meses e meio a três meses, os escorpiões podem gerar de 6 a 90 filhotes. Por cerca de 10 a 14 dias, eles ficam colados ao dorso materno até que consigam obter seu próprio alimento sozinhos.

A partir de então, os animaizinhos indesejáveis se espalham em habitats como amontoados de folhas, de pedras ou madeiras, fendas de rocha, debaixo ou dentro de tijolos, sob entulhos de qualquer natureza ou mesmo sob cascas soltas de árvores. Dentro das residências, os abrigos mais frequentes são roupas, sapatos e armários, que precisam ser manuseados com cuidado.

Já os locais de acesso ao imóvel, como ralos e frestas de portas e janelas, devem estar sempre vedados. O alimento preferido, que é a barata, também deve ser mantido sob controle com higienização do ambiente e dedetizações periódicas.

Em entrevista recente ao JC, Daniel Godoy Tarcinalli, do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Bauru, revelou que, somente no ano passado, foram registrados 63 acidentes com escorpiões na cidade. As vítimas, quando picadas, precisam procurar o Pronto-Socorro Central (PSC) para receber uma dose do soro antiescorpiônico. Se possível, a orientação é levar o escorpião à unidade de saúde para facilitar o diagnóstico e o tratamento.

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