Economia & Negócios

Médico do Samu de Bauru vai para o Haiti

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Capacitado para atuar em situações de risco e catástrofes e atual consultor da Coordenação Geral de Urgência e Emergência do Ministério da Saúde, o médico José Eduardo Passos, que há um ano divide seu tempo entre os trabalhos em Brasília e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Bauru, deve embarcar hoje para o Haiti para integrar o grupo de ajuda humanitária das Organizações das Nações Unidas (ONU). Lá, ele vai fazer a gestão e logística da assistência médica aos feridos que será realizada por um grupo de profissionais da saúde brasileiro.

São cinco médicos e quatro enfermeiros que vão prestar socorro aos feridos no terremoto que atingiu o país na terça-feira passada, matou mais de 50 mil pessoas e deixou cerca de 3 milhões de feridos. Passos, assim como os outros profissionais de diversos Estados brasileiros igualmente treinados para atender em situações de catástrofes, segue hoje para São Paulo e a expectativa é embarcar para o Haiti no final do dia. “Estamos só no aguardo da liberação de uma aeronave das Forças Armadas ou de uma empresa privada para nos levar”, disse ao JC ontem à noite.

Caso não seja possível viajar hoje, o grupo deve embarcar para o Haiti nos próximos dias. O grupo, de acordo com Passos, ficará no país por dez dias, período em que deverá atender os pacientes em barracas e em navios de países que integram a ONU, uma vez que vários hospitais foram destruídos no terremoto. “A minha função será fazer a organização da assistência médica que o grupo brasileiro dará aos feridos, informar o Ministério da Saúde sobre as condições de atendimento e o que é necessário de provisionamento”, frisa.

Além de levar ajuda humanitária aos feridos, Passos ressalta que a missão será importante também para o Brasil. “Vamos trazer a experiência de atendimento em situação de catástrofe dos outros países que lá estão, como Estados Unidos e nações europeias. Vamos agregar este conhecimento ao Sistema Nacional de Atendimento a Múltiplas Vítimas”, frisa referindo-se ao sistema brasileiro para atuar em situação de crise e catástrofe.

“São vários países que estão lá, com experiências distintas”, ressalta sobre o que o Brasil poderá trazer de conhecimento no atendimento médico para colocar em prática não só em situações de catástrofes com muitas vítimas, mas também em eventos de grandes multidões, como a Copa do Mundo. Passos conta que ainda há muitas pessoas sob os escombros das prédios que desabaram, sem assistência médica.

Por isso, a Presidência da República do Brasil fez a convocação urgente ontem do grupo de médicos que já é preparado para atuar nestas situações. “Já tem um representante do Ministério da Saúde lá no Haiti. Ele foi para lá com as Forças Armadas para saber das condições do país e passar os dados para o ministro da Saúde. E neste final de semana ou na segunda-feira deve embarcar para lá uma equipe da Vigilância Sanitária”, acrescenta.

Nascido em Lins, mas morando em Bauru desde os 2 anos, José Eduardo Passos conta que tem seis anos de experiência no atendimento médico de urgência e emergência de natureza traumática, com múltiplas vítimas, mas será a primeira vez que vai atuar em situação de catástrofe e calamidade, num local sem praticamente nenhum recurso. Além de conhecimento técnico, é preciso estar preparado psicologicamente e gozar de boa saúde e estar com vacinas em dia para missões como esta no Haiti.

José Eduardo Passos, que já foi coordenador do Samu 192 de Bauru, há quase um ano é consultor da Coordenação Geral de Urgência e Emergência, órgão do Ministério da Saúde, em Brasília. Ele atua na implementação da Política Nacional de Atenção às Urgências, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), que é composta pelo Samu, Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) e pela Qualificação das Portas Hospitalares de Atenção às Urgências. Ele continua morando em Bauru e trabalha no Samu local quando não está em Brasília.

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