Economia & Negócios

Após o aumento do álcool, motoristas já optam por gasolina

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Após o álcool chegar a R$ 1,89 em vários postos de combustíveis de Bauru, os proprietários de veículos flex já começaram a optar pela gasolina. Anteontem, o preço do etanol sofreu nova alta e, com a gasolina a R$ 2,59, passou a representar menos economia para os consumidores.

A reportagem do JC esteve em alguns estabelecimentos e constatou que todos os clientes donos de carros bicombustíveis já abandonaram o álcool anidro no momento de abastecer. Alguns, como o militar Sinvaldo Alves Villas Boas, já migraram de combustível no início da semana, quando o litro do álcool ainda custava R$ 1,79.

“Meu carro faz 12 quilômetros com um litro de gasolina e sete com um litro de álcool. Então, já estava compensando antes mesmo desta última alta. É claro que a gasolina é mais cara, mas o desempenho do veículo aumenta”, avalia ele, que possui um carro com motor 1.4.

Embora os motoristas possam fazer a conta específica para o seu veículo, existe um cálculo médio para concluir qual é a melhor escolha antes de abastecer. Basta dividir o preço cobrado pelo litro do álcool pelo preço da gasolina.

Se o resultado for maior que 0,7, o álcool deixa de ser vantajoso. Em Bauru, o resultado desta operação matemática chegou a 0,73, e quem quiser fazer economia deve encher o tanque com gasolina.

Os sucessivos aumentos no preço do álcool no último ano fizeram com que os bauruenses guardassem essa conta na memória. Preocupado em não perder dinheiro, o microempresário Jair Alves, por exemplo, sempre faz o cálculo antes de ir a um posto de combustíveis.

“O meu carro tem motor 1.0 e está na média. Se a proporção entre álcool e gasolina for maior que 0,7, só vou colocar gasolina. Do contrário, é jogar dinheiro fora”, pondera.

Já o engenheiro civil Ricardo Coelho confiou na honestidade do frentista e, mesmo sem ter uma calculadora em mãos, encheu o tanque do seu veículo flex com gasolina. No visor da bomba de combustível, o susto: o valor a ser pago foi de R$ 110,00.

Para quem estava acostumado a gastar, em média, R$ 60,00 a cada reabastecimento com álcool, Coelho pareceu conformado. “É bem caro mesmo, ainda mais pagando à vista. Mas sei que vou demorar mais tempo para encher o tanque novamente. Então compensa”, afirma.

Cautela

Apesar de já ser mais vantajoso abastecer com gasolina e os consumidores estarem atentos, o gerente de um posto da cidade garante que a clientela ainda está cautelosa. “Com esse último reajuste do álcool, os clientes se assustaram e o movimento caiu. Mas nos próximos dias, a tendência é que o consumo do produto diminua ainda mais”, analisa Flávio Ramella.

No estabelecimento em que ele trabalha, a procura pelo etanol caiu 30% apenas na última semana. “Se antes a gasolina era responsável por um terço das vendas, agora ultrapassa a metade e já é a preferência dos motoristas”, observa o gerente.

No entanto, a vantagem da gasolina sobre o álcool não deve ultrapassar o mês de janeiro, segundo avaliação do diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Edivaldo Tuschi. Ele destaca que, a partir de fevereiro, o preço cobrado pela gasolina também sofrerá aumento devido à redução do percentual de álcool anidro adicionado ao combustível, de 25% para 20%, conforme portaria do governo federal que entra em vigor a partir do mês que vem.

Mas, enquanto essa desvantagem do álcool não se reverte, ele explica que os motoristas não devem ficar apreensivos quanto ao aumento da emissão de gases poluentes na atmosfera ou ao desgaste das peças do automóvel em razão da opção pelo uso da gasolina. “A única desvantagem é que ela suja o pistão barbaramente, ao contrário do álcool, que é um produto limpo”, diz.

Tuschi explica que, por se adequar ao funcionamento de dois tipos de combustível com pontos de compressão distintos, a tecnologia dos automóveis flex não permite que o álcool seja totalmente queimado quando entra em combustão. “Isso faz com que qualquer um dos combustíveis disperse resíduos na atmosfera. Por isso, dependendo do fabricante, o uso do álcool pode poluir tanto quanto a gasolina”, frisa.

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