Economia & Negócios

Responsabilidade social foi área profissional que mais expandiu

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 5 min

A profissionalização do setor de responsabilidade social levou o segmento a uma grande expansão. Já faz tempo que organizações não-governamentais (ONGs), entidades e instituições investem na contratação de profissionais capacitados e também na formação continuada de seu quadro de colaboradores. O resultado pode ser medido pelos dados obtidos na última pesquisa realizada pela empresa Catho Online - de classificados eletrônicos de currículos e empregos. Pelo levantamento, a valorização salarial de educadores sociais foi a maior comparando os meses de outubro de 2008 e 2009. A categoria teve um crescimento de 20%. Auxiliar comercial e biólogos também tiveram aumento expressivo.

A pesquisa ouviu mais de 166 mil profissionais - inclusive de Bauru - e traçou o perfil salarial de 1,7 mil cargos. O estudo revelou que as áreas que registraram o maior crescimento no período foram responsabilidade social, com 19,7%, comércio filial, com 14,6%, e medicina clínica, 12,2%. A relação entre qualificação profissional e remuneração também foi avaliada na pesquisa. Dentro das áreas que registraram os maiores aumentos, os cargos de destaque foram os de educador social, auxiliar comercial e biólogo.

De acordo com a empresa, os agentes sociais mais valorizados são os que desempenham atividades educacionais, como preparar e ministrar aula em diversas áreas do conhecimento para crianças, jovens e adultos, além de elaborar planos de ensino e avaliar processos para a inclusão social e garantia dos direitos de cidadania para o grupo assistido.

Também tiveram aumento de salário as funções de coordenador, supervisor ou chefe de serviço social, que coordenam as atividades de responsabilidade social corporativa através de projetos. Além dessas, as atividades mais valorizadas são as de marketing de relacionamento, como promoção de palestras para a divulgação do trabalho social que a empresa tem desenvolvido.

Para Darlene Tendolo, secretária do Bem-Estar Social de Bauru, a função de agente social é de extrema importância para o desenvolvimento das ações da pasta. “São profissionais essenciais não só para o poder público, mas também para as entidades do terceiro setor. Principalmente pelo suporte que oferecem aos assistentes sociais”, destaca.

De acordo com a secretária, é profissional quem acompanha diariamente o grupo atendido pelas políticas públicas de desenvolvimento social. “Se não tiver o agente social, não há ligação com a base. Como eles acompanham diretamente as atividades do grupo, acabam agregando informações valiosas para o trabalho do assistente social”, diz.

Ela destaca que a prefeitura valoriza o profissional. “O prefeito Rodrigo Agostinho, sabendo da importância do agente social para o setor, realizou concurso público para a contratação de novos profissionais logo no início do ano passado. E, quando é oferecido aumento para a grade, os agentes também são contemplados”, destaca.

Missão

Há seis anos, Jenima Brito de Oliveira, 46 anos, atua como agente social. Atualmente, ela trabalha no projeto “Nenhuma Criança na Rua” do Centro de Referência em Assistência Social (Crea), que tem como objetivo manter os meninos e meninas de Bauru na escola.

Ela destaca que o mais difícil do trabalho é o primeiro contato com as crianças. “Elas são muito desconfiadas, chegam a dar endereço errado. Mas quando as conquistamos e vemos que elas estão fora da rua, estudando, é a melhor recompensa do mundo”, diz. E com a experiência, já sabe o caminho mais fácil para se aproximar dessas crianças. “É preciso conquistar a família. Esse é o segredo. Se você consegue isso, eles começam a confiar em você”, diz.

Para ela, a recompensa de dedicar seu dia-a-dia para os meninos e meninas em situação de vulnerabilidade social de Bauru é vê-los buscando um futuro melhor. “Muitos nos procuram depois de anos para mostrar a carteira de trabalho. Quando você vê que a criança não está mais em risco, é muito gratificante”, diz.

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Crise

De acordo com a Catho, alguns segmentos tiveram maior impacto da crise, considerando o cenário mundial, como comércio exterior, indústrias e setores financeiros, com foco principal em crédito pessoal, dentre alguns outros. Nestes setores, foi perceptível a redução do quadro de funcionários. Em outras áreas onde a economia não tem influência direta, houve uma estagnação das vagas de emprego, ou seja, nem aumento nem cortes. E em alguns outros segmentos da economia, como áreas comercial, administrativa, educação e informática, houve até crescimento da oportunidade de emprego.

Ao fazer um balanço entre todos os setores, algumas áreas compensaram outras. Mas não houve uma retração geral do mercado de trabalho no País.

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Diferenças salariais

A pesquisa identificou que existe uma diferença salarial entre os pagamentos da Capital e do Interior. Em média o profissional da região da Grande São Paulo ganha 20% a mais que o do Interior do Estado de São Paulo. Ainda há diferença salarial dos profissionais de qualificações diferentes, mas em mesmo nível de cargo. Em todos os casos, profissionais com maior bagagem educacional têm em média remuneração cerca de 10% maior.

A pesquisa apontou ainda que pode passar de R$ 5 mil a diferença de salário entre profissionais de mesmo nível hierárquico que falam inglês e aqueles que não dominam a língua. Segundo o levantamento, a maior diferença está entre os cargos mais altos – um diretor que fala inglês ganha, em média, R$ 15 mil contra uma média salarial de R$ 20 mil entre os profissionais fluentes na língua. Outro dado apontado pela pesquisa revela que as mulheres continuam ganhando menos que os homens em todas as áreas e níveis profissionais. A diferença maior também está no cargo de diretoria.

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