Rio - A viúva do coronel Emílio Carlos Torres dos Santos, 46 anos, lembrou com orgulho do trabalho do marido com as forças de paz no Haiti. Ana Paula Torres dos Santos disse que o militar pretendia levar a família para conhecer Porto Príncipe em maio, quando terminasse sua missão. “Ele queria que nós víssemos onde ele trabalhava, onde ele dormia, e como o país estava melhorando e sendo reconstruído”, contou, emocionada.
Era a segunda missão do militar no Haiti. O coronel era auxiliar direto do comandante das tropas da ONU no Haiti, general Floriano Peixoto. “Ele estava lá para exercer a função para a qual ele se preparou durante toda a vida. Era isso o que ele queria fazer”, disse Ana Paula. “Eu sei que, se ele estivesse vivo, mesmo ferido, estaria ajudando no resgate, porque esse era o perfil dele.”
O coronel tinha treinamento em saltos livres, montanhismo e mergulho. “Eu tenho certeza absoluta de que ele teria escapado se tivesse alguma chance. Se ele não conseguiu, é porque não houve tempo”, afirmou.
A família aguarda a chegada do corpo do militar, que deverá ser cremado no Rio. “Agora, eu torço muito pelos parentes dos que ainda não foram encontrados e espero que eles não percam a esperança”, disse Ana Paula.
Até o início da noite, a família do tenente-coronel Marcus Vinicius Macêdo Cysneiros, do Gabinete do Comandante do Exército, aguardava informações oficiais sobre o militar, que está desaparecido desde o terremoto. A família está em Niterói, na região metropolitana do Rio, e não quis dar entrevistas.
Chegada dos corpos
O general Eduardo Wizniewsky, comandante da 2.ª Região Militar, afirmou que os corpos dos 14 militares brasileiros devem chegar ao Brasil no domingo. As estimativas de vítimas ainda são incertas.
O general confirmou informação anterior do Ministério de Relações Exteriores brasileiro de que os militares passarão por necropsia para a expedição de um atestado de óbito. Depois, serão preparados para o transporte e colocados em urnas lacradas.