Não se trata de ficar rico, mas sim estar de bem com o bolso, equilibrando a renda com respectivos compromissos mensais. Esta seria a chamada harmonia financeira, tentada por muitos mas atingida por poucos que persistem na busca por organização.
Contudo, mais que a consciência de que há algo errado no fechamentos das contas mensais e a vontade de fazer um planejamento econômico, é necessário, acima de tudo, amadurecimento pessoal.
“Amadurecimento é a palavra”, receita o economista Carlos Sette, que dá uma orientação simples, mas, muitas vezes, difícil para alguém com o problema assimilar por si só. “Quando as contas são maiores que o salário, existe algo errado”, observa. “O planejamento é a única forma de equilíbrio, senão a pessoa sempre estará com a receita estourada”, relaciona. “Aprende-se muito com os erros”, sublinha.
Ele exemplifica essa falta de organização com a situação de alguém que recebe algum dinheiro adiantado e gasta a esmo, sem pensar nos reflexos negativos que terá a curto prazo. “Há o gasto e depois a correria para tapar buracos. Um caso clássico é da pessoa que recebe o adiantamento das férias e, se não tem cabeça, esquece que não receberá o salário integral no mês seguinte, gastando quase tudo”, ilustra Sette.
Para poder administrar a vida financeira, entretanto, o indivíduo, antes de tudo, precisa tomar consciência de que está com um problema. “A maturidade passa pelo psicológico antes do fator econômico”, endossa o economista.
Esse despertar, entretanto, muitas vezes depende da intervenção de terceiros, principalmente amigos ou familiares. “Se a pessoa geralmente perde mais do que ganha em investimentos e não tem condições de viver razoavelmente com o rendimento que tem, deve buscar ajuda de alguém, seja um consultor ou psicólogo”, orienta a psicanalista Vera Rita de Mello Ferreira, doutora em psicologia social e autora dos livros “Decisões Econômicas: Você parou para pensar” e “Psicologia econômica”.
A consciência de que algo não vai bem, de acordo com estudiosos nas áreas de psicologia e economia, é importante passo rumo a organização. Ciente de que algo vai errado, o salgadeiro José Nivaldo Bassi Júnior, de 30 anos, é um dos que admite a falta de organização financeira, mas tem como objetivo mudar essa história.
“Não sou organizado com as finanças”, assume. “Para mim, o mais difícil é lidar com as contas no início do ano”, especifica. “Vou fazer uma poupança para poder saldar todas as minhas contas no final do ano”, vislumbra.
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Comportamento afeta ‘pão-duro’
Se, por um lado, os gastadores sem controle podem ter a mão aberta relacionada a problemas emocionais, aqueles que popularmente são conhecidos por não tirarem o “escorpião do bolso” também podem sofrer com esse tipo de comportamento.
“Não é possível que alguém assim seja feliz”, opina o economista Carlos Sette. “Na minha experiência de mercado, pessoas assim, geralmente, seguram o dinheiro em demasia por uma vida dura em outros tempos”, atribui.
Para a psicóloga Marcela Vendramini Morato Velosa, professora da disciplina de psicologia do consumidor nos cursos de comunicação do campus de Bauru da Universidade Paulista (Unip), os chamados ‘unhas-de-fome apresentam essas características desde a infância. “É um traço de personalidade, observado naquela criança que não empresta nada. Na verdade, ninguém gosta, mas a gente vai aprendendo”, relaciona a psicóloga. “Geralmente, pessoas assim também são controladoras sobre as pessoas”, descreve.