‘Para vencer é preciso enfrentar obstáculos’
A história de Angélica Santini começou quando ela veio para Bauru estudar Relações Públicas na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp). O que era apenas para ser passageiro, tornou-se roteiro de vida com profissão e casamento estabelecidos na cidade.
O estágio e o primeiro emprego na Coca-Cola foram primordiais para a carreira em comunicação mercadológica que se estabeleceu com a agência própria, hoje, Play Regional. “Senti o desejo de estudar mais para me aprimorar na teoria, por isso fiz um mestrado”, conta em relação à vida profissional. Além da agência, o tempo de trabalho da profissional é dividido entre as aulas e a coordenação do curso de Publicidade e Propaganda da FIB.
Vida e trajetória profissional, planos de família, marketing e arte de conciliar trabalho com família são os principais temas da entrevista que Angélica Santini concedeu ao Jornal da Cidade. Confira.
Jornal da Cidade - Você veio para estudar em Bauru?
Angélica Santini - Vim em 1992 porque passei no vestibular para a faculdade de Relações Públicas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp). Na verdade, um dos meus objetivos era fazer a faculdade e voltar para a região de Campinas. Porém, no ano de 1993, entrei no estágio na Coca-Cola, antiga Refrigerantes Bauru e, no segundo ano de faculdade, comecei a namorar com o meu atual marido. Minha vida, aquilo que no primeiro ano da faculdade era voltar todo dia para Amparo (SP), começou a migrar aos poucos para Bauru com o namorado e o trabalho aqui. Paralelamente, as coisas foram acontecendo, meu namoro foi se fortalecendo, de estagiária fui efetivada no terceiro ano de faculdade e assumi o departamento de comunicação da Coca-Cola.
JC - Seu marido é de Bauru?
Angélica - Não. Assim como eu, ele veio para estudar e acabou ficando. Ele veio de Catanduva (SP).
JC - Por quanto tempo você ficou na Coca-Cola?
Angélica - Fiquei durante seis anos. Depois, acho que estava com dois anos de casada, minha vida estava muito agitada, muitas viagens e acabei pedindo demissão para abrir uma agência de comunicação. Fiz uma proposta para eles e fiquei trabalhando para a Coca em minha agência. Fiquei em Bauru mas continuei atendendo uma grande região que ia até Presidente Prudente, Marília, etc. Nos primeiros dois anos trabalhei apenas para a Coca-Cola. Depois, abrimos para o mercado. Acredito que minha grande experiência, a minha grande escola, foi dentro da Coca-Cola.
JC - Como era o nome da sua primeira agência?
Angélica - Angels. Hoje eu estou com um outro formato de agência. Um foco muito grande da Angels, no início, era a parte de produção de eventos, assessoria de comunicação e de relações públicas. Tínhamos bastante promoção de vendas também. Fiquei com essa agência até 2006.
JC - E a necessidade dos estudos?
Angélica - Busquei o mestrado justamente por sentir essa necessidade na minha vida profissional. Sou uma pessoa bastante inquieta, gosto muito de desafios, de coisas novas e paralelo à agência, fui buscar um mestrado porque eu estava me sentindo um pouco longe da teoria. Estava carente de estudos. Pensava se o que estava fazendo na prática estava certo. Fiz um mestrado em comunicação, mas com foco em comunicação mercadológica.
JC - O curso foi em São Paulo?
Angélica - Sim, na Metodista. Lá encontrei esse foco mercadológico, 100% para o marketing. Então é uma visão de comunicação com marketing, porque é aquilo que eu já desenvolvia nas campanhas para o mercado. Foi muito bacana, meus anos de mestrado foram de muito conhecimento e de um novo foco que eu dei na minha vida profissional. Então, com os estudos, repaginei minha agência e, hoje, a Play Regional é um outro contexto.
JC - Tem trabalhos publicados?
Angélica - Minha linha de pesquisa foi na comunicação integrada ao marketing. Hoje, minha agência tem este formato. Tenho participação em um livro chamado “Comunicação Mercadológica - Uma visão multidisciplinar”, da Metodista. Continuo pesquisando muito e trabalhando nessa área. Tanto é que entrei para a área acadêmica.
JC - Como surgiu a oportunidade de lecionar?
Angélica - Ainda quando fazia mestrado, recebi um convite para dar aulas em Jaguariúna. Foi a primeira experiencia e praticamente pagava para dar aulas. Contudo, isso me abriu portas e comecei a dar aulas na FIB e em Barra Bonita. Hoje, além de professora, eu coordeno o curso de Publicidade e Propaganda da FIB. Não deixo mais de escrever, de pesquisar, vou muito a congressos, enfim, busco sempre me reciclar e aprender.
JC - Quando criança, já pensava em estudar comunicação?
Angélica - Desde a infância eu já gostava de eventos e dessa coisa de organização, mas nunca pensei em seguir esses caminhos. Quando estava no antigo terceiro colegial, eu pensava em ser dentista, mas não estava feliz, não tinha maturidade para decidir. Fiz testes vocacionais e um ano de cursinho até me decidir por Relações Públicas.
JC - Está realizada profissionalmente?
Angélica - Para mim, a minha profissão é muito bacana. Dou aula de planejamento e de comunicação e na agência, além de proprietária, eu trabalho com planejamento, então é um super prazer você conseguir entender o seu cliente. As empresas que você atende são diferentes umas das outras. Eu entendo que o trabalho de comunicação não é algo que você fale como a receita de um bolo. Eu tenho uma paixão muito grande por essa área e digo que me dá muito prazer entender e procurar sugerir soluções.
JC - Faculdade ou agência? Em termos de prazer pelo trabalho.
Angélica - Os dois são gratificantes para mim. É exaustivo dar conta de tudo, chegar em casa à noite, viajar... Mas é muito bacana estar na sala de aula e passar aquilo que vivencio na prática. Levar informação aos alunos é um prazer muito grande. Montar um encontro de comunicação e trazer profissionais que estão fazendo a diferença, também é ótimo. Então, eu acho que uma coisa complementa a outra, e mais, acredito que a área acadêmica me faz estudar sempre, constantemente, isso também faz a diferença.
JC - Sobra tempo para a família?
Angélica - Então, eu acho que a mulher tem um pouco desse poder de procurar articular. Na maioria do meu tempo, que é tão corrido, o que sobra é utilizado com a família. Procuro passear, ir com minha filha ao cinema, jantar com meu marido. Me organizo para levar a pequena todos os dias ao colégio, ela faz natação no horário em que faço ginástica, assim vamos juntas. Não é fácil o trabalho de mulher.
JC - Você se imagina sem o trabalho ou sem a família?
Angélica - Não seria realizada somente com a vida de dona de casa, mas cada uma tem sua opção. Por outro lado, se me dedicasse apenas à profissão, sentiria um vazio. Tenho apenas uma filha de 9 anos de idade, mas é tudo para mim.
JC - O que a família representa para você?
Angélica - É a base para tudo. Fui criada com os princípios cristãos e acho que a família é o alicerce para você conduzir o resto. Se não estamos bem estruturados com esses pilares, as coisas acabam ficando um pouco vazias.
JC - E a vida profissional, o que ela significa?
Angélica - É o meu complemento e minha realização. É lógico que ninguém é realizado 100%. Sempre busco me aprimorar. Costumo falar que a felicidade é feita de momentos e não acho que somos felizes o dia todo. Acredito que, quando vencemos um desafio, procuramos outros. Se ficarmos estagnados na vida, morremos.
JC - Você já trabalhou com modelos?
Angélica - Sim, quando tinha a Angels. Dentro do conceito de promoção de vendas, de eventos ou mesmo de assessoria de comunicação corporativa, acontecia que precisávamos contratar uma recepcionista bilíngue, alguma coisa diferenciada e fui montando um casting lá dentro para atender a minha demanda. Porém, o nível foi ficando bom e chamou a atenção do mercado publicitário que pedia modelos para filmes, campanhas...Confesso que tomo muito cuidado para que isso não ocorra na nova agência. Apesar de ser rentável e bacana, você acaba direcionando esforços para um lado.
JC - Como você explica a importância do marketing, hoje?
Angélica - Acima de qualquer coisa eu o vejo como algo macro. Ao pé da letra ele representa o mercado como um todo, a distribuição, o produto, a confecção do produto. Mas, em relação a comunicação para o marketing, eu acho que cada vez mais ela deve ser especializada e buscada, porque o nosso consumidor é exigente e gosta de tudo que é mais fácil, prático e que está nas mãos dele.
JC - Você já passou por algum grande sofrimento ou frustração?
Angélica - Sim. No começo do casamento meu marido tinha uma empresa e acabou perdendo tudo. Foi um período difícil, mas que trouxe muita experiência. Eu acho que, quando você passa por momentos difíceis, você deve levantar a cabeça e lutar. Lutar e buscar alternativas. Aqui é que está a diferença e que muitas pessoas acabam não conseguindo. Isso foi marcante na minha vida. Sempre tive um perfil lutador e, com os obstáculos e a idade, fiquei mais forte.
JC - O que gosta de fazer para se divertir?
Angélica - Gosto de sair, ir a barzinhos como meu marido, quando posso, viajar com amigos, sair para jantar, coisas assim.
JC - Já viajou bastante?
Angélica - Viajo muito a trabalho e, sempre que posso, com a família. América Latina eu conheço bem e pretendo conhecer a Europa. Tenho cidadania italiana e quero conhecer o País, isso faz parte dos meus planos pessoais. Outro plano que preciso focar é o de passar mais tempo com minha família.
JC - Você se considera uma mulher moderna?
Angélica - Procuro ser antenada, não sei se sou moderna, mas procuro. Como lido muito com jovens, acabo ficando por dentro de coisas que não ficaria se não fizesse parte do universo deles, como Orkut, Twitter, por exemplo.
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Perfil
Nome: Angélica Santini
Idade: 36 anos
Local de Nascimento: Amparo/SP
Signo: Câncer
Marido: Célio Jr.
Filhos: Pollyana
Hobby: Ouvir música
Livro de cabeceira: Bíblia e livros sobre comunicação
Filme preferido: “À Procura da Felicidade”
Estilo musical predileto: MPB
Time: São Paulo
Para quem dá nota 10: Para pessoas autênticas
Para quem dá nota 0:À falsidade
E-mail: angelica_satini@hotmail.com