Rio de Janeiro - A destruição no Haiti deve manter por no mínimo mais cinco anos a presença de tropas brasileiras no país, afirmou ontem o ministro Nelson Jobim (Defesa). Para ele, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) precisa ter seu orçamento e foco de ação ampliados para manter a paz no local.
Ele considera “impossível" a saída antes desse prazo.
Jobim reivindicou ainda que a gerência dos recursos obtidos com doações seja entregue à missão. “(A ajuda) Tem que ser multilateral, conduzida e coordenada por autoridades haitianas e da Minustah".
O ministro disse que pediu ao presidente do Haiti, René Préval, que definisse uma autoridade para coordenar o uso e o pedido de ajuda e doações ao país. Jobim defende que a Minustah participa do planejamento.
“Senão chegam todos esses auxílios individualizados que acabam se sobrepondo e sendo inúteis. Ouvimos falar em não sei quantos de doações para o Haiti. Acontece que isso nunca aparece ou aparece com muita dificuldade, porque os haitianos não tem gestores. Essa gestão deve ser feita via ONU. Não pode ser feita exclusivamente por ONGs, mas também por que tem condição de reconstruir o país".
O ministro disse que a manutenção da paz no Haiti depende da ampliação do mandato da Minustah. O atual concedido pela ONU encerra-se em 2011.
Atualmente, o orçamento da tropa só pode ser gasto em ações para manutenção da ordem. As obras civis autorizadas, como pontes e reformas de prédios, só são autorizadas caso sejam necessárias para deslocamento e uso da tropa.
Jobim afirmou que vai sugerir esta semana ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a ampliação deste foco. “A manutenção da paz depende da reconstrução do país. Precisamos caminhar para a possibilidade de termos uma atividade real", disse ele.
O Exército já tem planejado a construção de uma hidrelétrica com capacidade de 32 MW ao norte de Porto Príncipe, capital do país e a cidade mais afetada pelo terremoto.
“Uma das condições básicas para o desenvolvimento é ter energia. Isso permite a instalação de indústrias, o que gera empregos", disse ele.