Se todo cidadão conhecesse ao menos um aterro sanitário, certamente diminuiria sua produção de lixo. Isto porque, ao visitar o local, é inevitável se deparar com uma montanha de lixo e com caminhões que chegam a todo momento trazendo mais e mais dejetos.
É de ciência de toda a população que quem recolhe os lixos são os coletores (e ai deles se atrasarem ou deixarem de fazer o serviço). Mas quantos, dos aproximadamente 400 mil habitantes de Bauru, têm a preocupação de saber o que acontece depois?
O destino de grande parte do lixo produzido pelo município é o aterro sanitário de Bauru, localizado próximo ao quilômetro 353 da rodovia Marechal Rondon, cerca de 15 quilômetros distante do Centro da cidade. A presença de um grande número de eucaliptos cheirosos, plantados no local para amenizar o mau cheiro, é o aviso de que chegamos.
O aterro, que tem área total de 11,12 alqueires paulista, começa a operar logo cedo, a partir das 7h da manhã, e só fecha as portas às 2h, quando chega o último caminhão de coleta. A entrada no local só é permitida mediante autorização.
Logo à porta existe uma balança, responsável por fazer a pesagem dos caminhões. De acordo com os apontamentos deste equipamento, todos os dias o aterro sanitário recebe cerca de 250 toneladas de lixo. Em uma semana são 1.500 toneladas, cerca de 4 quilos por habitante.
Passando a entrada, é possível ver um grande morro, nivelado em quatro camadas, três das quais já cobertas de grama. “Este é o nosso aterro”, apresenta Paulo Henrique Ferraz do Amaral, gerente de limpeza pública e gestão ambiental da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
“O aterro existe desde 1993 e estamos na quarta camada. Por baixo dela existem três camadas de lixo compactadas e já cobertas por grama. Nossa previsão é de que a capacidade desta última camada se esgote em um prazo de dois anos, mas já pedimos autorização à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para construir a quinta e sexta camada”, avisa.
Embora estivesse chovendo torrencialmente no dia que a reportagem visitou o local, os urubus e as moscas não passaram despercebidos. Uma grande concentração deles se postava em cima do morro ou sobrevoava o local, atentos a qualquer indício de alimento à vista.
Mais adiante, o mau cheiro se fez notar. Contornando o barranco, existem duas lagoas de chorume (líquido contaminado que escorre dos lixos), cada uma com capacidade para abrigar 1 milhão de litros.
“Todo o líquido que escorre dos lixos é captado por canaletas e direcionado a uma bomba, que o manda direto para estas lagoas. Este ano já abrimos licitação para que uma empresa especializada em tratamento venha buscar este chorume, isso acontece em média a cada quatro anos”, explica Amaral.
De acordo com a Assessoria de Imprensa da Emdurb, o trabalho chega a custar cerca de R$ 1 milhão, por isso a Emdurb analisa a possibilidade de esvaziar as lagoas pela metade.
À medida que se avança, o cheiro vai piorando. Para chegar onde o lixo é compactado, os caminhões precisam subir uma grande rampa de terra. Lá em cima fica um trator de esteira, responsável por espalhar e compactar o lixo ao mesmo tempo.
“A máquina fica amassando o lixo e espalhando e faz isso por diversas vezes, até que todo ele seja reduzido ao seu volume mínimo. Isto é preciso para evitar futuros deslizamentos. No final do dia o aterro recebe uma cobertura de terra, na espessura de 15 a 30 centímetros”, detalha Amaral.
Uma vez confinado, o lixo entra em processo de decomposição, liberando gases como o metano (CH4) e o gás carbônico (CO2). Para evitar explosões, já que o metano é inflamável, o aterro conta com um sistema de drenagem de gases. São tubos de concretos revestidos que têm cerca de 1 metro de diâmetro, responsáveis por liberar os gases na atmosfera.
Até mesmo o aterro sofreu os reflexos da crise mundial, de acordo com a Emdurb. Neste período, a quantidade de lixo depositada no aterro sofreu um aumento considerável. “Como passaram a pagar menos pelos recicláveis, diminuiu o número de catadores, sendo assim grande parte deste material veio para cá”, destaca Amaral, que faz questão de frisar o nome correto do local. “Não é lixão, é aterro! Lixão não recebe tratamento, fica tudo exposto. Aqui não, aqui cuidamos”, ressalta.