Material escolar parcelado em até 18 vezes, além de descontos. Esta é a nova modalidade de financiamento no setor, que registra intensa concorrência e remete à disputa na área de eletrodomésticos. As Lojas Americanas dividem o material em até dez pagamentos, enquanto o Armarinhos Fernando faz em até quatro parcelas - com desconto de 5% para quem pagar em dinheiro. O Extra, para quem tem o cartão da rede, divide a compra em 18 vezes.
Comprar à vista ou a prazo, no entanto, é uma decisão baseada nas condições financeiras da família, embora pagar à vista sempre é o mais recomendado. “Se os pais já tiverem reservado um valor para isso, melhor tentar um desconto à vista”, afirma o educador financeiro Cláudio Carvajal. “Se tiver que parcelar, é melhor não estender por mais de 12 meses, pois no ano que vem será preciso comprar material de novo.”
Antes de gastar é essencial pesquisar preços, que podem variar mais de 100% de uma loja para outra. O consultor de finanças Marcos Crivelaro sugere a “divisão” da lista em compras menores, aproveitando a especialidade de diversas lojas. “Um supermercado pode ter preços bons para canetas e lápis, papelaria para cadernos e papel e uma livraria pode conseguir preços melhores nos livros”, diz.
Com três listas à mão, a fonoaudióloga Vânia Morales fez uma pequena pesquisa para ter noção das médias de preços antes de comprar. “Tento comprar o máximo possível das coisas na mesma loja e tentar um desconto à vista. Se não dá, parcelo no cartão”, explica.
Além da pesquisa, outra arma dos pais é a compra coletiva, em maiores quantidades, para conseguir negociar preços melhores. “Com alguns materiais, como canetas e papel, dá para conseguir isso. Já com livros pode ser mais complicado”, avalia o educador financeiro Cláudio Carvajal.
A assistente de direção do Procon-SP, Valéria Cunha, sugere ainda que os pais analisem bem a lista, confiram o que dá para aproveitar do ano passado e, se preciso, questionem a escola quanto às quantidades.
É o que faz a agente de viagens Bruna Bittar, que só compra o material de João, de 4 anos, na última semana de férias. “A escola devolve o que sobrou do ano passado. Vou conferir o que já tenho e só compro o que faltar.”
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‘Genéricos’
Personagens de desenho animado em capas de caderno ou mochilas podem ser, também, grandes inimigos da economia, já que, segundo a assistente de direção do Procon-SP, Valéria Cunha, chegam a custar 50% a mais do que “genéricos”.
O o educador financeiro Cláudio Carvajal sugere que a criança esteja envolvida no processo de compra, para aprender o que é caro e o que é barato. “É preciso mostrar a diferença. Talvez um caderno ou outro com personagens, para ajudar a incentivar, mas não a linha toda de material licenciado.”
Vânia Morales fez o contrário e levou os três filhos às compras. “Eles pegam o material que preferem, mas dou uma boa olhada nos preços antes de por no carrinho”, garante.