Internacional

Porto Príncipe vê expansão da violência


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Porto Príncipe - Em caos após o devastador terremoto da última terça-feira, o Haiti enfrenta problemas de logística para oferecer assistência aos flagelados da tragédia. Desesperados e cansados de esperar por auxílio, moradores da capital Porto Príncipe começam a deixar a cidade ou a saquear comércios e casas, aumentando o risco de atos de violência.

A infraestrutura do país já era precária antes de terremoto, e agora quase inexiste. O aeroporto internacional da cidade, por exemplo, não consegue receber todas as aeronaves que pedem autorização de pouso para entregar mantimentos e equipes de resgate de diversos países.

Além disso, há uma grande dificuldade para que as provisões sejam entregues aos desabrigados, segundo informou o conselheiro da Casa Branca sobre os esforços humanitários do Haiti, Tim Callaghan. Ontem no estádio Delmas, um helicóptero americano tentou distribuir alimentos aos cerca de 2.000 acampados no local, mas não havia espaço para o pouso devido ao tumulto entre os haitianos. Os alimentos, então, foram lançados ao solo por soldados.

Para membros da ONU no Haiti, a violência aumentará caso a ajuda humanitária não chegue logo aos moradores de Porto Príncipe. Porém, ressaltam que, ‘por enquanto”, a lei e a ordem estão sob controle, embora haja exceções.

Centenas de pessoas saquearam uma área repleta de armazéns comerciais no centro da capital. Sem intervenção de membros da ONU e da polícia, a multidão se embrenhou entre escombros e retirou produtos ainda aproveitáveis. Ao menos cinco pessoas denunciaram grupos de assaltantes à polícia.

Apesar do risco de contaminação por doenças ou soterramento em edifícios prestes a ruir, muitos haitianos se aventuram entre cadáveres e escombros para buscar água, comida ou bens para revenda. Muitos, diante das circunstâncias caóticas, se converteram em ladrões.

“Roubam qualquer coisa. De valor ou não. É uma loucura. Nossa ordem é apenas de afastá-los. Não podemos disparar”, disse Louis Jean Eficien, oficial da polícia haitiana. Policiais patrulham cruzamentos importantes e postos de gasolina, mas já começam a monitorar algumas das avenidas principais de Porto Príncipe.

Em uma dessas patrulhas, a polícia resolveu agir com mais força contra saqueadores. Houve tiros para o ar, empurrões e distribuições de chutes nas pessoas foram detidas.

Em meio ao aumento da tensão, o país caribenho recebeu ontem a visita a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, a primeira autoridade do primeiro escalão do governo americano a ir ao Haiti.

Ela afirmou que seu país é “amigo e sócio” do Haiti e prometeu continuar ajudando nas tarefas de resgate e reconstrução do país, em coordenação com o governo local. Hillary também garantiu que as forças americanas ficarão no local “hoje, amanhã e previsivelmente no futuro.”

EUA e Haiti devem divulgar hoje um comunicado conjunto que delineará as tarefas básicas para a reconstrução do país. O presidente americano, Barack Obama, disse que o terremoto no Haiti originou “uma das maiores operações de socorro” da história dos EUA. Ontem, Obama se reuniu com os ex-presidentes George W. Bush e Bill Clinton e anunciou a criação do “Fundo Clinton-Bush” de doações aos haitianos.

O terremoto aconteceu às 16h53 da última terça-feira (19h53 no horário de Brasília) e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe. O número de mortos ainda é desconhecido, mas o governo do Haiti anunciou anteontem que cerca de 140 mil pessoas podem ter morrido na tragédia. A Cruz Vermelha, no entanto, calcula entre 45 mil e 50 mil mortes. Mais de 30 mil corpos já foram resgatados e enterrados.

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