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Soldado bauruense escapa de terremoto

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

O soldado bauruense Marcos Henrique dos Santos, 21 anos, está há sete meses no Haiti. Ele deveria voltar ao Brasil no último final de semana, mas o terremoto que devastou o país caribenho adiou por tempo indeterminado o retorno (leia mais na página 24). De acordo com sua noiva, a estudante Wellen Freitas Fernandes, 19 anos, o militar estava no Palácio Nacional no momento do desastre e conseguiu sair com vida ao se atirar para fora do imóvel. Agora, ele trabalha na distribuição de alimentos e na remoção de corpos no local.

Santos serve no 37º Batalhão de Infantaria Leve, com sede em Lins (102 quilômetros de Bauru), e foi no meio do ano passado atuar com a missão de paz brasileira no Haiti. De acordo com Wellen, depois que a notícia sobre o terremoto ganhou a mídia, ela e os familiares do militar passaram 12 horas de angústia. “Ficamos sabendo sobre o desastre na quarta-feira e então passamos a acompanhar tudo sobre o terremoto pela televisão”, lembra a estudante. O soldado só conseguiu entrar em contato com a família às 12h do dia 14. E mesmo assim, rapidamente. “Ele ligou e disse que estava vivo e bem. E disse que ligaria mais tarde, para conversar com tempo”, conta.

De acordo com Wellen, Santos disse que estava na sede do governo do Haiti quando houve o terremoto. “Ele contou que só escapou porque conseguiu pular do palácio no momento do terremoto antes de cair tudo. Ele disse que só machucou levemente uma mão e ralou uma das pernas”, relata.

Segundo a estudante, seu noivo e outros militares brasileiros estão em barracas em um campo aberto. “Ele diz que a situação está muito triste por lá. Ele conta que para os militares há comida, o pior é a população que está sem nada”, diz. Wellen fala todas as noites com o noivo, pela Internet, e informa que ainda não há previsão de retorno para o soldado e seus colegas no Haiti.

Os pais de Santos se mudaram recentemente para Arealva e mesmo com as notícias diárias, a família ainda está preocupada. “Esses dias houve mais um tremor por lá. Ainda estamos muito preocupados porque a situação é crítica”, diz a estudante.

Tragédia

O terremoto aconteceu às 16h53 do dia 12 (19h53 no horário de Brasília) e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do Haiti. Ainda não há um dado preciso sobre o número de mortos. A Organização Pan-americana de Saúde, ligada à ONU, diz que podem ter morrido cerca de 100 mil pessoas. Já a Cruz Vermelha estima o número de mortos entre 45 mil e 50 mil. Na última sexta-feira, o governo do Haiti afirmou estimar em 140 mil o total de vítimas.

Dezessete militares brasileiros morreram no terremoto e, segundo o ministro Nelson Jobim (Defesa), mais três civis: a médica Zilda Arns, o chefe-adjunto civil da missão da ONU no Haiti, Luiz Carlos da Costa, e um terceiro que não foi identificado. Militares brasileiros ficaram feridos no terremoto. Eles chegaram ao Brasil na sexta-feira, e desde então foram internados no Hospital Geral do Exército, em São Paulo, para um período de quarentena.

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Ajuda

O médico José Eduardo Passos, consultor da Coordenação Geral de Urgência e Emergência do Ministério da Saúde e integrante do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Bauru, ainda não embarcou para o Haiti, onde vai integrar o grupo de ajuda humanitária das Organizações das Nações Unidas (ONU). O grupo de cinco médicos e quatro enfermeiros que farão parte da missão ainda aguarda voo para o país.

A equipe ficará no Haiti por dez dias, período em que deverá atender os pacientes em barracas e em navios de países que integram a ONU, uma vez que vários hospitais foram destruídos no terremoto.

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