O torneiro ferramenteiro André Luiz Ignácio da Costa ficou indignado na tarde de ontem. Ao levar seu sogro, Ercílio Gonçalves de Freitas, 65 anos, ao Pronto-Socorro da Bela Vista, deu com a cara na porta, literalmente. A unidade de urgência e emergência fechou às 13h de ontem por falta de equipe médica para o plantão da tarde. Ele teve que levar o sogro, diabético e com pressão alta, ao Pronto-Socorro Central (PSC). Para sanar o problema da falta de médicos, que já causa o fechamento do PS Bela Vista nas manhãs de quinta-feira, a Secretaria Municipal de Saúde prorrogou as inscrições de concurso público para a contratação de especialistas.
Costa diz que chegou na unidade 10 minutos antes das 13h. E o PS já estava fechado. “Quando meu sogro tem essas alterações, ele fica com dificuldades de andar e enxergar. Procurei atendimento no Jardim Bela Vista, mas me disseram que tinha acabado de fechar por falta de médico”, diz. Revoltado, ele conta que pensou em acionar a polícia. “Mas tive que procurar o PSC para o meu sogro, que não estava bem”, conta. “Fiquei muito indignado. E o Estatuto do Idoso? Bate uma revolta muito grande e não temos o que fazer”, critica.
Outro bauruense que ficou sem atendimento foi o conferente Jonas Carvalho, 27 anos. Com uma virose desde domingo, procurou atendimento na unidade, por volta das 16h. “Agora não sei se espero até as 19h quando começa o plantão da noite, ou se vou para o PS Central”, diz. Morador do Parque Vista Alegre, ele foi a pé até a unidade e teria que caminhar até o Centro. “É uma falta de respeito com a população. Para onde vai o dinheiro dos impostos que pagamos? É uma falta de respeito com os cidadãos”, critica.
Já a serviços gerais Leila Cristina Ignácio de Paula Coimbra, 38 anos, procurava atendimento desde o início da manhã. Com problemas de diabetes e de pressão, foi à Unidade Básica de Saúde do Núcleo Beija-flor. Como foi informada que não poderia ser medicada antes que o resultado dos exames feitos fossem liberados, ela decidiu procurar a unidade de urgência e emergência. “Mas o resultado só sai em 10 dias. E até lá? Como fico?”, questiona. Ela ainda pensava se valeria a pena andar até o PSC. “Não tenho como esperar até as 19h. Nós que dependemos do SUS (Sistema Único de Saúde) ficamos numa situação horrível”, diz.
O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, foi informado pela reportagem do Jornal da Cidade sobre a falta de atendimento no PS Bela Vista. Depois que buscou informações sobre o fato, confirmou que a decisão de fechamento foi deliberada na unidade e que o fato foi excepcional. “Houve um problema de escala. Não havia médicos para o atendimento. Ninguém foi dispensado, os funcionários permaneceram por lá”, diz.
Para ele, mesmo sem médicos, a unidade deveria ter permanecido aberta, para que os pacientes fossem orientados. De acordo com o secretário, o período de férias colaborou para o agravamento da situação. Há algumas semanas, o PS do Jardim Bela Vista não oferece atendimento nas manhãs de quinta-feira.
Por isso, Monti acredita que passado esse período e também após a contratação de especialistas que forem aprovados no concurso público que está em aberto (leia no texto ao lado), a situação deverá ser regularizada. Além disso, ele destaca que a pasta estuda uma revisão na grade de plantões. “Pensamos em fazer a revisão de todas as escalas, para ajustar os horários de maior demanda aos horários de trabalho”, informa.
Quadro
Monti avalia que o quadro de médicos ainda não está completo. Há dois anos, o Jornal da Cidade divulgou uma série de reportagens sobre inúmeros pedidos de demissões de especialistas na gestão anterior e a dificuldade de contratar profissionais para recompor o quadro. “Ainda sentimos o reflexo desse período”, informa o secretário.
De acordo com Monti, a intenção da pasta é manter um quadro com profissionais suficientes para as escalas de plantões e possíveis substitutos. “Ainda não temos esse conforto”, observa. “Acredito que com o fim do período de férias e as contratações do concurso, a situação pode melhorar”, avalia.
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Vereador constata problema
O vereador Roberval Sakai (PP) entrou em contato com o Jornal da Cidade semana passada para relatar uma visita que fez às unidades de urgência e emergência de Bauru naquele dia. Ontem, ele conversou com a reportagem e disse que não ficou satisfeito com o que viu. “Me ligaram dizendo que não havia médicos no Pronto-Socorro do Bela Vista e no Central”. Ao checar as informações, conta que não encontrou médicos no primeiro e foi ao segundo, avaliar a situação.
“No Central vi dois médicos trabalhando, um deles iria completar 60 horas direto. Os outros encontrei nas salas de conforto, um vendo TV e outro, descansando”, conta. “Enquanto isso, a população aguardava. Um senhor estava lá desde as 10h e já eram 16h”, afirma. Ele destaca que os médicos precisam de descanso, mas ressalta que a população sai prejudicada. “Não podemos continuar dessa forma. A população não pode ser penalizada pela falta de médicos. Vou procurar o secretário Fernando Monti para discutirmos uma forma de solucionar o problema”, diz.