Santiago - Após encerrar um ciclo de 20 anos de poder da Concertação, a aliança de centro-esquerda que governa o Chile desde o fim da ditadura militar, o presidente eleito Sebastián Piñera terá como principal desafio corresponder às expectativas geradas por suas ousadas promessas de campanha, diante de um cenário de agitação crescente no mundo do trabalho.
Entre as propostas do empresário de centro-direita, que assume em março, está a criação de um milhão de empregos em quatro anos (a taxa de desemprego está em 9%) e uma baixa significativa nos crimes.
“Há uma expectativa muito grande, e Piñera vai enfrentar dificuldades sociais se não mostrar resultados rapidamente”, disse o analista político Raúl Sohr. Segundo ele, há inquietação entre trabalhadores subcontratados -prática que avançou no país e atinge 30% das empresas, de acordo com o governo.
No plano político, diz o sociólogo Eugenio Tironi, o desafio de Piñera é controlar os setores mais duros de sua coalizão e fazer jus às suas propostas de direita mais liberal - como fortalecer a proteção social. Como não terá maioria no Congresso - a Concertação tem vantagem estreita no Senado e nenhum dos blocos controlará a Câmara-, Piñera deverá manter a política de acordos que vige há 20 anos nas Casas.