Economia & Negócios

Confiante, consumidor deve gastar mais com supérfluos

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 4 min

Confiantes de que o pior já passou, os consumidores brasileiros se preparam para, este ano, gastar mais dinheiro com “pequenos luxos” do que gastaram em 2009, quando temiam os efeitos da crise econômica mundial em seus empregos e suas rendas. Uma pesquisa realizada pela consultoria Nielsen, divulgada nesta semana, mostra que eles estão mais dispostos a retomar despesas que não são tidas como essenciais, como reforma de casa, compra de artigos tecnológicos e gastos com viagem de férias.

Foram entrevistados 17.500 usuários de Internet em 29 países para saber sobre sua confiança na economia, suas principais preocupações e seus hábitos de consumo. De acordo com o levantamento, o índice de confiança dos brasileiros é de 110, em uma escala de 0 a 200. O resultado coloca o Brasil em terceiro lugar do ranking de otimismo em relação à recuperação econômica - apenas Índia e Indonésia estão à frente. Há seis meses, o índice brasileiro era de 96, quando o país estava na quarta posição.

Cerca de 49% dos brasileiros acreditam que 2010 será um bom ou excelente momento para voltar a gastar com supérfluos. Os gastos com férias foram citados por 39% dos entrevistados do Brasil. Na Argentina, esse percentual cai para 37%, enquanto no México apenas 24% estão dispostos a gastar o dinheiro extra com turismo. A média da América Latina foi de 34%.

Nos Estados unidos, apenas 20% das pessoas afirmam estar dispostas a gastar o dinheiro a mais com viagens. Entre os canadenses o índice é de 25%. Na América do Norte, a média ficou em 20%.

Parece que esta é uma tendência entre os bauruenses também. Para o cabeleireiro Joaquim Américo Ribeiro, 49 anos, este ano começou bom de acordo com o que notou em seu próprio estabelecimento. “Percebi que o movimento continuou após a correria do final de ano. Tanto é que penso em investir no local para atender esta demanda”, revela.

Ribeiro também se encaixa entre os brasileiros que devem gastar com turismo. Devido aos valores mais acessíveis, o cabeleireiro tem planos de fazer um cruzeiro pela costa brasileira ainda este ano.

Planejamento é a palavra-chave para a professora Valéria Érika da Silva Pereira, 20 anos. Ela, que estava fazendo compras quando concedeu entrevista ao JC, revela que ainda no primeiro semestre de 2010 tem como meta comprar seu primeiro carro. “Acho que a economia está mais confiável, principalmente em relação a emprego. Tenho planos para este ano”, conta.

De acordo com Robson Gonçalves, professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), esse cenário pode ser justificado pela geração de expectativas ruins trazidas pela crise econômica mundial. “Ela era ouvida nos noticiários, era repetida inúmeras vezes. Mas acabou não se confirmando no País como era esperado, especialmente em relação à perda de emprego. Por isso, a população acabou tendo uma reversão de expectativas. Ela espera o pior, que não aconteceu. Então, passou a acreditar que as coisas tendem a ser ainda melhores.”

Gonçalves conta que a economia brasileira, desde a criação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) na década de 1980, tem pela primeira vez uma taxa de juros básica de um dígito. “Isso tende a gerar uma grande expansão de crédito. Muitas famílias estão tendo acesso a modalidades e volumes de crédito que nunca tinham tido até então. É nesta hora que é preciso cautela”, afirma.

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O que é

De acordo com a definição do Novo Dicionário Aurélio, supérfluo significa aquilo que é demais; inútil por excesso; desnecessário.

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Eletrônicos e casa

Comprar aparelhos eletrônicos também atrai o consumidor brasileiro: 43% dos entrevistados na pesquisa feita pela consultoria Nielsen pretendem fazê-lo neste ano, acima dos 31% da média latina e 12% da América do Norte. Gastos com a melhoria na casa - reformas ou nova decoração - estão nos planos de 40% dos brasileiros - contra 16% dos norte-americanos e 31% dos argentinos. Entre os entrevistados que disseram “não ter dinheiro extra”, os norte-americanos foram 26%, os canadenses 23% e brasileiros e argentinos, 11% cada.

Quando o assunto é usar o dinheiro remanescente para quitar dívidas, empréstimo e cartão de crédito, o Brasil fica dois pontos percentuais abaixo da média latina: 37%, mesma proporção dos norte-americanos.

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