Regional

Fazenda é desocupada pela 2a vez em menos de um mês em Agudos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Agudos - Pela 2a vez em menos de um mês, a Polícia Militar desocupa a Fazenda Cabreúva, município de Agudos (13 quilômetros de Bauru). Em dezembro, foi cumprida a liminar de reintegração de posse. Ontem, o mesmo documento ordenou a desocupação. Para os integrantes da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp) a terra é destinada à reforma agrária, é improdutiva e está hipotecada. Para o advogado que representa os proprietários, Éder Bolsonário, os manifestantes estão tentando criar fatos que não se provam.

A fazenda, segundo o advogado, tem 715 alqueires dos quais 400 contêm eucalipto, 200 de pasto e o restante reserva legal. Os números são contestados pelos integrantes do movimento. “A propriedade está hipotecada não produz nada e como ela é destinada à reforma agrária, nós ocupamos”, explicou Jonatan Abner Neves.

Neves frisou que a retirada causou uma situação inesperada. “Não temos para onde ir. Estamos sem destino. Vou sair agora para procurar um lugar. Não sei se vamos ocupar outra propriedade. Cabe ao advogado da Feraesp trabalhar em cima disso e garantir nossos direitos.”

Para o advogado da família proprietária da terra, a informação do líder do movimento não tem fundamento, uma vez que, na semana passada, ele, o oficial de justiça e a PM tentaram negociar com o movimento a fim de que a saída fosse pacífica e dispensasse todo o aparato.

“Para que eles saíssem tivemos que disponibilizar cinco caminhões. A prefeitura de Agudos ofereceu a ambulância, o Conselho Tutelar trouxe assistentes sociais e psicólogas e a PM veio cumprir a ordem judicial”, explicou Bolsonário.

Neves reclamou que as 100 famílias, que ocupavam a fazenda, estão passando por dificuldades. “O pessoal está desempregado, não temos comida e as 80 crianças estão fora da escola.”

Sem resistência

O aparato policial estava preparado para enfrentar qualquer que fosse a situação, o importante era fazer cumprir a ordem do juiz, segundo o comandante do 4º BPMI, major Airton Martinez. “Toda vez que a justiça pede o apoio à PM temos que vir preparado porque não sabemos o que vamos encontrar. Trabalhamos com as possibilidades deles saírem pacificamente ou de resistirem.”

Martinez ressalta que a tropa de choque é deslocada para resolver o problema. “Se houvesse resistência, teríamos que usar força moderada.”

O major frisa que o efetivo chegou aos 100 homens, 40 viaturas. “Contamos com o apoio da Polícia Rodoviária, Ambiental, Cavalaria e Canil. É um custo que tem que ser suportado. Não podemos arriscar com menos efetivo, uma vez que eles podem resistir.”

A suspeita de dano ambiental não foi confirmada, segundo o major. “Vamos aguardar a retirada de todas as barracas para verificar, por enquanto não constatamos danos ambientais.”

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