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Crescimento econômico é qualidade de vida?

Terezinha S. Zanlochi
| Tempo de leitura: 2 min

Para os menos avisados até pode parecer. Mas para quem sabe a diferença entre crescimento e desenvolvimento econômico, até então, pode afirmar que não. Entretanto, poderia ser. A matéria do JC de 9/12/09, sobre o crescimento de 8,8% na construção civil e 8% na geração de empregos, significa mais preocupações futuras do que solução presente em Bauru. Começando pelo entulho... Tenho observado que nenhuma quadra urbana tem sido deixada para praças ou bosques, necessários ao nosso clima e nossa qualidade de vida. Em 2009, contei seis quadras inteiras com construção civil e, em cada uma delas, não menos do que seis torres. Será mesmo que o lucro precisa atingir este nível de construções, satisfazendo a avidez do investidor, porém sufocando a qualidade de vida do cidadão bauruense?

A qualidade de vida de quem mora no Jardim Estoril IV foi sacrificada pela abertura da rua Rio Branco à construções indiscriminadas de muitos edifícios, sem áreas verdes.

Será que desejamos copiar a cidade de São Paulo? Uma selva de pedra que se chove tudo alaga; se faz sol, ninguém suporta o calor e a umidade. Será este o destino que está sendo traçado para Bauru?

Estive em Berlim, em julho passado, e vi com meus próprios olhos o que é qualidade de vida urbana. Uma cidade com o mesmo tamanho territorial do município de São Paulo e com apenas 3 milhões e meio de habitantes. São Paulo tem 12 milhões.

Um dia de outubro, na Unesp, cheguei a conversar sobre este assunto com o senhor prefeito. Sugeri, inclusive, a presença de um urbanista nas questões imobiliárias. Mas parece que a avidez do lucro imobiliário está se sobrepondo às associações de bairro, ao Executivo, ao Legislativo e até aquelas ONGs responsáveis pelo meio ambiente urbano. Que pena. A História vai registrar isto, pode acreditar. Ela é implacável... não perdoa nada e nem ninguém.

E nossos netos terão muitas situações a resolver no futuro. Certamente, nos mandarão para o inferno ao invés de rezar por nós.

A autora, Terezinha S. Zanlochi, é professora-doutora e colaboradora de Opinião

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