A estação mais chuvosa do ano sempre preocupa os moradores de locais onde há bueiros entupidos. Incapazes de cumprir sua função - colaborar na drenagem das águas pluviais -, as bocas de lobo acabam colaborando com o alagamento das vias e das casas. Com apenas uma equipe para fazer a limpeza de 6.500 instalações do tipo em Bauru, a Secretaria de Obras não consegue fazer uma manutenção eficaz. Segundo dados da pasta, há dez agentes realizando o serviço de manutenção. Se cada um deles limpar uma boca de lobo por dia, seriam necessários um ano e nove meses para limpar, pelo menos uma vez, cada instalação da cidade. Mas no processo atual, ultrapassaria oito anos.
Como são necessários equipamentos e não há como executar o serviço sozinho, os agentes formam uma equipe. De acordo com a secretaria, não há como fazer uma média da quantidade de bueiros por dia, pois o tempo de execução do serviço depende da situação de cada local.
Ontem, o grupo de trabalhadores foi dividido e destinado à limpeza de dois locais diferentes. Se for mantida a média de dois bueiros limpos por dia, seriam necessários oito anos e 11 meses para fazer, ao menos uma vez, a manutenção das instalações.
O secretário de Obras, Eliseu Areco Neto, reconhece a deficiência do serviço. “A situação é crítica. Temos inúmeros problemas de diversas classificações. Temos que limpar bueiro em rua de terra, o que é uma situação complicada porque a areia entra nos bueiros e entope também a tubulação. Na área central e em outros bairros tem muita sujeira. Enfim, temos uma diversidade de serviços para limpeza de boca de lobo e a situação é bastante precária, difícil de atender”, explica.
Ainda segundo Areco, seriam necessárias quatro equipes, com a mesma quantidade de funcionários e equipamentos, para poder atender a cidade a contento. “Temos também que ter a ação da população. Em inúmeros locais encontramos lixo, entulhos, galhos nos bueiros. Se tivéssemos uma ação maior de conscientização e cuidado com o armazenamento de lixo e de sobra, como entulho e galhos de árvore, talvez a gente melhorasse. Lógico que a equipe ainda seria deficiente. Uma só não dá, mas já dava uma boa contribuição”, diz o secretário.
Colaboração
Para o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, a colaboração da população é essencial. “A lógica nos diz que tem muitas bocas de lobo entupidas, mas a equipe tem feito a limpeza. Não há sistema de combate a enchente que resista ao lixo. Se a população não se conscientizar que não deve jogar lixo na rua e não acondicionar o lixo para o coletor pegar, por mais que se invista em combate a enchente, é jogar dinheiro fora”, pondera.
Ele conta que a variedade de itens encontrados nos bueiros é impressionante, “Já conseguimos levantar 91 itens que saíram de boca de lobo: vestido de noiva, fantasia de Carnaval, entulho, galho, lixo eletrônico, animais vivos e mortos. Fora o lixo comum, tem também criminosos que usam como local de desova para produtos de furto. Teve até gente morta que foi encontrada em bueiro”, relata.
Os problemas causados pelo entupimento vão além dos alagamentos. “A boca de lobo é um sistema de drenagem para evitar as enchentes, você disciplina as águas que estariam correndo pelas ruas. Quando esse sistema é bloqueado, a água que estaria correndo na boca de lobo corre no asfalto. Você tem destruição de asfalto, de postes, água de enxurrada invadindo residências por conta de estar com o bueiro entupido”, explica.
De acordo com Areco, a Secretaria de Obras está realizando processos de contratação e compra de equipamentos para melhor atender a população em todos os serviços oferecidos pela pasta. “Nosso objetivo é ampliar as equipes gradativamente”, expõe.
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Transtornos
Quem vive nas proximidades de boca de lobo entupidas, alega que o problema não ocorre só na época de chuva. A dona de casa Kelly de Oliveira Rufino, moradora da quadra 4 da avenida Lucio Luciano, no Núcleo Bauru 22, reclama da sujeira no bueiro em frente à sua residência.
“Às vezes a prefeitura vem e limpa, às vezes, a gente mesmo limpa por medo de encher, mas no calor também dá problema. O cheiro que sai dali é ruim e incomoda bastante”, diz.
A estudante Fabiana Bento, 23 anos, convive há quatro meses com um bueiro totalmente entupido na calçada de sua casa. “Já ligamos e pedimos pra desentupir, mas ninguém vem. Quando chove faz enxurrada na rua e vem terra e sujeira para dentro de casa”, reclama.