Bairros

Trânsito caótico na rua Ayrton Busch assusta moradores

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

O desenvolvimento do comércio nos bairros da zona noroeste de Bauru, principalmente nas imediações da rua Ayrton Busch, no Parque Santa Edwirges, teve consequências ambíguas para a população: se, por um lado, os moradores passaram a vislumbrar novas oportunidades de negócios e trabalho, de alguns anos para cá também ficaram expostos a uma série de riscos, em decorrência do trânsito caótico que se instalou na área.

Principal corredor comercial da zona noroeste, a Ayrton Busch costuma receber um enorme fluxo diário de veículos, sobretudo nos horários de pico (das 6h às 8h, das 12h às 13h e entre as 18h e 19h). Nos finais de semana, o tráfego na região fica ainda mais complicado, pois os carros e motos têm de disputar espaço nas ruas com os pedestres.

Para atrair consumidores, os vendedores ambulantes (bem como os próprios donos dos estabelecimentos comerciais) têm o costume de deixar seus produtos expostos nas calçadas, atrapalhando a passagem dos pedestres, que se veem obrigados a desviar pela rua. O problema se repete no período noturno, quando bares e lanchonetes também resolvem espalhar suas mesas e cadeiras pelo passeio público.

De acordo com os moradores do bairro, os acidentes de trânsito são comuns na via. “Aqui é o ‘point’ das colisões. Semana passada, um motociclista foi atropelado por um carro, em frente à minha casa”, afirma o comerciante Waldir Pianosi, 61 anos, proprietário de um depósito de gás situado na quadra 4 da Ayrton Busch.

Segundo ele, além dos carros que transitam em alta velocidade, é comum se deparar com animais (vacas e cavalos) circulando livremente pela rua. “Ano retrasado, o prefeito (Rodrigo Agostinho, do PMDB) esteve no bairro, fazendo campanha eleitoral. Hoje, só vemos descaso. Nós, da periferia, pagamos a conta para a administração municipal embelezar as portas das casas dos ricos. Para essa gente, Bauru se resume à Nações Unidas, à Getúlio Vargas e ao Calçadão - e olhe lá...”, afirma Pianosi.

O comerciante cobra melhoras na sinalização da via. “Aposto que um semáforo custaria bem mais barato do que os procedimentos cirúrgicos para cuidar de um desses acidentados do trânsito”, afirma Pianosi. Semana passada, o aposentado Wilson Crispim, 72 anos, viu uma amiga ser atropelada por uma moto, na quadra 2 da Ayrton Busch. “Por pouco a moto não a acertou em cheio. Foi milagre ela ter sobrevivido”, garante.

“Se você reparar, verá que não há nenhuma faixa de pedestres na rua”, reclama o aposentado. “Aqui não tem nada. É preciso que houvesse mais sinalização e lombadas, mas a prefeitura não toma providências”, dispara o vendedor Edson Roberto Posca, 51 anos. Na opinião dele, os governantes que se sucederam no comando da cidade nunca olharam para os problemas das regiões norte e oeste de Bauru. “Sempre só se preocuparam com a zona sul. Ali continua sendo a ‘menina dos olhos’ dos poderosos”, pensa.

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) afirma já ter recebido dois pedidos para instalação de lombada e semáforo na rua Ayrton Busch - um de autoria do vereador Amarildo de Oliveira (PPS), outro proposto por Renato Purini (PMDB). As solicitações precisam ser analisadas pela Diretoria de Sistema Viário e Transportes (DSVT) da autarquia, para entrar em vigor.

Ano passado, a Emdurb também recebeu requerimento para instalação de uma lombada na quadra 11 da Ayrton Busch, mas o pedido acabou sendo negado. A DSVT alegou que o trecho em questão não apresenta tráfego que justifique a implantação do obstáculo.

Sobre a ausência de faixas de pedestre no local, a Emdurb alega que, nos dias chuvosos, a enxurrada costuma espalhar areia (trazida das vias transversais, a maioria sem pavimentação) na pista da Ayrton Busch. O contato dos detritos com os pneus dos veículos removeria a tinta do asfalto. Em geral, as sinalizações de solo não chegam a durar mais de um mês no local.

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Fiscalização

A Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) afirma que, desde o ano passado, tem ampliado as ações de fiscalização em corredores comerciais como a rua Ayrton Busch, na zona noroeste da cidade. “Todos os sábados, os fiscais vão ao bairro (Santa Edwirges) para fazer diligências”, garante Adriana Queiroz de Almeida, chefe do setor de fiscalização de comércio.

Segundo ela, os estabelecimentos que mantêm produtos expostos na calçada podem ser notificados pelos fiscais. Se persistirem na irregularidade, correm risco de ser multados em R$ 500,00. Em caso de reincidência, o valor dobra. Segundo Almeida, a empresa pode até ter seu alvará de funcionamento cassado, se insistir em desrespeitar a lei.

Reclamações sobre irregularidades cometidas por estabelecimentos comerciais podem ser feitas à Seplan pelos telefones (14) 3235-1067 ou (14) 3235-1066, de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 18h. As denúncias são protocoladas para que os fiscais possam realizar diligências, inclusive aos finais de semana e feriados. Os agentes também atuam no período da noite. Os autores das queixas têm sua identidade mantida em sigilo.

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