Internacional

Novo tremor atingiu o Haiti ontem

Folhapress
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Porto Principe - Oito dias após o terremoto que devastou o Haiti, um novo tremor de 6,1 graus na escala Richter voltou a levar medo aos moradores do sul do país.

O epicentro foi a pequena cidade de Petit Goave, a cerca de 60 km de Porto Príncipe. Seus moradores, já traumatizados com o tremor da semana passada, tiveram que sair correndo das tendas em que passaram a viver. “Foi muito forte. Eu estava dormindo e fui sacudido sem entender direito o que estava acontecendo”, disse Makenson Astrel, desempregado.

A cidadezinha fica ao final de uma pequena serra, de acesso bastante complicado. Várias pedras rolaram da montanha, obstruindo metade da pista. Em vários trechos, o asfalto rachou, criando pequenos canions com até um metro de profundidade. Em outros pontos, foram criados verdadeiros degraus na pista. Por isso, a viagem, por uma região montanhosa e no meio de plantações de cana de açúcar e bananais, chega a demorar três horas.

Em Porto Príncipe e em outras cidades da região, o tremor também foi sentido. No horário, pouco depois das 6h (9h em Brasília), muitas pessoas dormiam. O repórter acabara de se levantar do colchão em que dorme na base do batalhão brasileiro quando o chão começou a ondular, movimento que se manteve por cerca de três segundos. Mas o chacoalhão não foi suficiente para fazer pessoas perderam o equilíbrio.

Em Petit Gouave, a sensação, dizem os moradores, foi de solo movendo-se com maior intensidade. A cidade, no entanto, já está bastante danificada pelo terremoto da semana passada, com várias casas desabadas. Mas não se notaram novas ocorrências do tipo, de acordo com moradores.

Por ordem do governo do Haiti, alguns helicópteros foram deslocados para a região, para verificar a necessidade de reforçar a ajuda humanitária. Mas até as 20h30 não havia noticias de novos mortos ou feridos.

De qualquer forma, em Petit Gouave, a imagem do governo haitiano e das forcas de assistência humanitária não é das melhores. “Só pensam em que esta nas cidades maiores’’, declarou Chrisner Celestin. Em cerca de uma hora na cidade, a Folha de S.Paulo não viu nenhuma patrulha da Minustah, tampouco algum trabalho de resgate ou atendimento aos vários feridos que se acumulam nas tendas montadas na cidade.

O único sinal aparente de ajuda são algumas barracas, montadas por ONGs. Mas a maior parte da população dorme em tendas improvisadas, com toalhas afixadas em pedaços de madeira espetados no chão.

“Aqui não da para contar com a ajuda de ninguém’’, afirmou Cange Wilson, dono do único cibercafé no centro da cidadezinha. Desde o primeiro terremoto, está fechado por conta das rachaduras na parede.

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Ajuda humanitária ganha força

Porto Príncipe - Enquanto isso, a preocupação com saques e violência diminuiu graças à presença de tropas dos EUA que garantem a segurança e distribuem água e ajuda alimentar, e pelo fato de muitos desabrigados terem atendido ao conselho do governo de buscar abrigo fora de Porto Príncipe.

O atendimento médico, o sepultamento de cadáveres, as questões de abrigo e saneamento e a distribuição de água e comida continuam sendo prioridade para as operações internacionais de auxílio, disseram funcionários da ONU uma semana depois da tragédia.

Embora ainda haja a necessidade de escoltas militares para a entrega de mantimentos, a ONU disse que os problemas de segurança se concentram em áreas que já eram consideradas de alto risco mesmo antes do terremoto. Cerca de 4.000 criminosos fugiram de prisões que desabaram.

“A situação geral em Porto Príncipe continua estável, com uma violência limitada, localizada, e saques ocorrendo”, disse o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU.

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