A tragédia provocada pelo terremoto do último dia 12 no Haiti vem despertando a solidariedade mundial. Em Bauru, como não poderia ser diferente, muita gente também está se propondo a ajudar. Segundo Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil, a comoção é tanta que as doações chegam a ser inviáveis como a de uma senhora que ligou na instituição pedindo informações sobre como doar um guarda-roupas.
“É uma situação de comoção internacional e as pessoas se sentem compelidas a ajudar de alguma forma. Uma senhora me ligou querendo mandar um guarda-roupas. Eu conversei e expliquei que não tem como levar. Um guarda-roupa não serve nem para lenha lá”, diz Brito. Para ele, o alto custo operacional do transporte feito por avião e as dificuldades logísticas para o envio de doações de alimentação, móveis e roupas praticamente impossibilitam a chegada dos objetos até o Haiti.
Informalmente, agências de ajuda humanitária informaram ao jornal O Estado de S. Paulo que o frete de um avião de carga com capacidade para 40 toneladas em um voo intercontinental custaria US$ 200 mil, já considerando um desconto de ajuda humanitária. Ao chegar lá, um dos problemas é a falta de locais de armazenamento.
Antes de ajudar é preciso perceber quais são as necessidades emergenciais da população. “A solidariedade humana tem que ser administrada. Não adianta ter gente com sede e com fome e chegarem lá com um carregamento de sapato. Há prioridades que têm que ser seguidas nas ações humanitárias e quem está preparado para fazer isso são os governos”, explica Brito.
Além do custo do transporte, a doação de alimentos é complicada devido ao fato do país estar devastado. “Doar arroz e feijão, que seriam muito bem-vindos em qualquer lugar, seria problemático lá porque não tem panela, não tem fogão, não tem onde fazer. É um cenário de guerra”, afirma o coordenador da Defesa Civil. “Os americanos que têm muita tecnologia na área de guerra estão enviando ração humana, que são alimentos que você só adiciona água e pode comer ou aquece apenas com o calor do sol. É o mais adequado para esse momento”, acrescenta.
Por todas essas dificuldades, a ajuda mais indicada está nas doações em dinheiro. “O ideal é a doação em dinheiro nas agências bancárias que são entidades sérias ou para a Cruz Vermelha ou Cáritas Internacional. Esses órgãos internacionais já estão acertando com empresas que fornecem desde medicamentos até alimentos. Como ajuda humanitária, esses produtos saem com um preço bem próximo ao de custo. Isso serve para não se gerar também uma indústria da calamidade”, orienta Brito.
Como ajudar
A Cáritas Diocesana de Bauru, assim como de todo o Brasil, iniciou, no último dia 15, uma campanha em prol das vítimas do terremoto do Haiti. A entidade abriu contas correntes para os brasileiros que puderem colaborar com doações em dinheiro. E, ao mesmo tempo, fará um abaixo-assinado para pedir que os países que emprestaram dinheiro ao Haiti perdoem a dívida.
Marisa Aparecida Inoe Domingues, presidente da Cáritas Diocesana de Bauru, explica que não possível estimar qual o valor doado pelos bauruenses até agora, pois as contas recebem dinheiro de todo o País, mas garante que, pela quantidade de pessoas que procuram a entidade em busca do abaixo-asssinado, a cidade está se mobilizando.
“Tem bastante gente vindo até aqui, pegando as listas, assinando. Tem muitas passando pela cidade. Ainda não temos um número de assinaturas porque as listas devem começar a ser entregues na semana que vem”, conta Domingues.
Outra forma de ajudar é depositar qualquer quantia nas contas destinadas ao auxílio humanitário no Haiti em diversos bancos. No Banco do Brasil, agência 3475-4, conta corrente 23969-0; na Caixa Econômica Federal, agência 0647, Operação 003, conta corrente 600-1, e no Bradesco agência 1041, conta corrente 1132-1.
Os restaurantes das redes McDonald’s realizam até hoje uma campanha na qual parte do valor pago pelo Big Mac será destinado ao país atingido pelo terremoto. Os mais de 170 restaurantes operados pela Arcos Dourados em 19 países da América Latina contribuirão com uma doação equivalente, em moeda local, a US$ 0,50 das vendas de cada sanduíche vendido individualmente ou em combinações promocionais.
Profissionais autônomos da área da saúde, instituições públicas ou privadas que queiram doar medicamentos, insumos de saúde ou enviar profissionais da área ao Haiti podem se cadastrar junto ao Ministério da Saúde. O cadastro de reserva pode ser feito nos sites http://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=3646 (medicamentos) e para http://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=3647 (profissionais). O envio da ajuda inscrita dependerá da demanda proveniente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República que coordena a ação de apoio ao Haiti.