Brasília - O presidente Lula agradeceu a todos os militares mortos no cumprimento de missão de paz da ONU no Haiti, a Minustah, citando-os nome a nome durante a cerimônia de honras fúnebres realizada na tarde de ontem, em Brasília.
Em seu discurso, o presidente classificou a missão como “a mais nobre já efetivada pelas nossas Forças Armadas” e cumprimentou todas as famílias dos 17 militares presentes no local. “Foi um desses episódios em que o destino cego e implacável parece ter assumido as rédeas da condição humana!”, disse Lula sobre o terremoto que devastou o Haiti no último dia 12.
Estiveram presentes na cerimônia o vice-presidente José Alencar, ministros, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e os presidentes da Câmara e do Senado. As honras fúnebres aconteceram em hangar na Base Aérea de Brasília e durou cerca de uma hora.
Os corpos dos militares seguem agora para seus Estados de origem, onde ocorrerão os sepultamentos. Os caixões estavam cobertos por bandeiras brasileiras. Cada militar recebeu a Medalha do Pacificador com Palma, concedida aos oficiais que se destacam por atos de coragem e bravura com risco de morte no exercício de suas funções. Todos eles integravam a Minustah.
“O soldado brasileiro nunca foi confundido com invasores estrangeiros. Muito pelo contrário, foi a sua mão amiga que criou a confiança mútua entre a Força de Paz das Nações Unidas e os justos anseios da sociedade haitiana”, afirmou Lula.
Os corpos dos militares e seus familiares iriam ontem de Brasília para seus Estados de origem a partir das 19h. Seis aviões seriam usados para o deslocamento. Para Guarulhos (Grande SP), seriam transportados dez corpos e 36 familiares. Para o Galeão (RJ), seriam quatro corpos e 13 familiares.
Os quatro aviões restantes iriam para Salvador (transportando apenas familiares), Uberlândia (MG), Barbacena (MG) e Santa Maria (RS).
Corpo de diplomata
A filha Anna Maria e a mulher Cristina, de Luiz Carlos da Costa, funcionário da ONU morto no terremoto do Haiti ocorrido no último dia 12, fizeram uma homenagem a ele durante cerimônia encerrada ontem no Palácio do Itamaraty, no Rio. “Quando penso nele, penso na paz e penso como um presente para o mundo. Agora só podemos desejar a ele a paz que ele tanto lutou para trazer para o mundo”, disse Anna Maria. Cristina falou que, ao conhecer Luiz Carlos, teve “a certeza de que ele não era deste mundo, que ele era um anjo da guarda”.
O velório de Costa ocorreu até as 17h de ontem. O corpo do funcionário da ONU seguirá hoje para Nova York, onde será enterrado amanhã.