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Pesquisadora cria software para ajudar as crianças com dificuldades motoras

Por Mariana Hirai | O Imparcial, Presidente Prudente, especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Nascida em Dracena, a pesquisadora Ana Grasielle Corrêa, há quatro anos se dedica a ajudar crianças com dificuldades motoras ou com mobilidade reduzida. O GenVirtual, como é denominado, é uma invenção que integra o trabalho de doutorado da cientista. Em fase de patenteamento, o software foi desenvolvido no Laboratório de Sistemas Integráveis, ligado à Politécnica, da Universidade de São Paulo (USP). Por meio da criação, que envolve reabilitação, tecnologia, educação e música, as crianças são convidadas a se exercitarem e, assim, estimularem seus corpo, que, mesmo pequeninos, têm a força de vontade de um gigante.

Ana Grasilelle, 32 anos, mudou-se de Dracena aos 8 meses de idade. “Como meu pai era bancário, vivíamos viajando”, lembra. No entanto, ao ingressar na faculdade de engenharia da computação, em Campo Grande (MS), sua família retornou à sua terra natal. “Por isso, pelo menos três vezes ao ano vou à Dracena”, conta.

Ciente da importância da música para o corpo e a alma, a pesquisadora enveredou pelo tema em seu trabalho de mestrado. “Foi referente à iniciação musical para as crianças. Na época, já queria ter tratado da reabilitação dos pequenos, mas por conta da complexidade, e do tempo curto, foquei esta necessidade para meu doutorado”, explica.

De acordo com a cientista, ela entrou em contato com uma musicoterapeuta, e, a partir daí, tentou ajudar as crianças com o auxílio da tecnologia. “Trabalhamos com crianças da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), que são de baixa renda. Por isso, faziam o treinamento motor no Centro de Reabilitação, mas em casa, ficavam ociosas, pois não tinham acesso aos materiais necessários, que são importados, feitos sob encomenda, ou seja, de alto custo”, salienta.

Diante desta realidade, Corrêa criou o GenVirtual, que é acessível, visto que pode ser baixado gratuitamente (www.lsi.usp.Br/natel/projetos/genvirtual). “Basta ter um computador e uma webcam, que hoje estão mais democratizados”, diz. Explica que o software contém diversos modelos, cada qual com uma função. “Hoje já disponibilizei a função de composição musical. Os outros poderão ser baixados após a defesa da minha tese de doutorado, prevista para ocorrer até outubro”, fala.

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Cenário real

Ana Grasielle Corrêa explica que a adição dos objetos virtuais ao cenário real ocorre através do reconhecimento dos símbolos musicais impressos em papel comum, ou seja, cartões. Emenda que os cartões podem ser impressos em diversas cores e tamanhos, e, posicionados na mesa de acordo com o desafio motor desejado.

“A identificação dos símbolos dos cartões ocorre por meio de processamento de imagens, capturadas por uma webcam, conectada ao computador”, expõe. Quando o símbolo do cartão é reconhecido, o GenVirtual cria um objeto virtual tridimensional associado ao som do respectivo papel.

Ana Grasielle esclarece que hoje o software está em fase de teste. Atualmente, dez crianças portadoras de paralisia cerebral da AACD participam do projeto, além de 30 crianças da Associação Brasileira de Distrofia Muscular (Abdim), e outros pequenos atendidos em domicílio.

Até agora, os resultados, segundo a pesquisadora, têm sido “satisfatórios”. “Há maior motivação e satisfação dos pacientes. Isto porque é muito chato ter de fazer sempre os mesmos exercícios tradicionais. O GenVirtual permite maior interatividade, amplia as funções cognitivas como atenção, concentração e memória”, salienta.

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